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Dos gases do efeito estufa à erradicação da pobreza: a evolução do conceito de sustentabilidade

13/10/2016 em BRAZILIAN BUSINESS
Em 12 anos, o que mudou para as empresas, para a sociedade e para o Prêmio Brasil Ambiental
Centro de Sustentabilidade da ex-Tractebel, hoje Engie, em Capivari de Baixo (SC). Foto: Plinio Bordin
Thaiza Pauluze
thaizapauluze@amchamrio.com


O Prêmio Brasil Ambiental surgiu em 2005, ano da COP 11, a primeira Conferência das Nações Unidas Sobre Mudança do Clima após a entrada em vigor do Protocolo de Kyoto. Naquele ano, a cerimônia da Câmara de Comércio Americana do Rio de Janeiro (AmCham Rio) reuniu o empresariado nacional para reconhecer e incentivar ações de sustentabilidade. Em Montreal, o encontro da ONU selou o compromisso dos países industrializados de reduzir de 20% a 30% a emissão de gases do efeito estufa até 2030.


Desde então, o conceito de sustentabilidade evoluiu bastante: aos compromissos ambientais se somaram desafios como o combate à pobreza e desigualdade. Em 2015, a 21ª Conferência do Clima – COP 21 aprovou a Agenda Pós-2015, um plano de ação com foco no caráter social da sustentabilidade.


“A agenda reconhece que a erradicação da pobreza é o maior desafio global e requisito para o desenvolvimento sustentável”, afirma Kárim Ozon, advogada especialista em Direito Ambiental do escritório Chediak Advogados e presidente do Comitê de Meio Ambiente da AmCham Rio.


Num acordo histórico, os 193 estados-membros das Nações Unidas aprovaram os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, propondo-se a tirar do papel uma série de ações para bater 17 grandes metas até 2030. O pacote de metas liderado pela ONU atribui importância significativa ao setor privado, citado mais de 40 vezes no documento final. As metas brasileiras são ambiciosas, como reduzir em 37% as emissões de gases do efeito estufa até 2025 e atingir desmatamento zero na Amazônia até 2030. Outro objetivo ousado é chegar a 23% de energia renovável na matriz energética, excluindo recursos hídricos. Do total de energia consumida no País, apenas 2% é de fonte eólica e 7,3% de biomassa. O uso de energia solar é ínfimo.


“O Brasil foi o primeiro país emergente a anunciar uma meta absoluta, algo bastante inovador em comparação a países como China e Índia. Mas é preciso definir regras adequadas para implantar as medidas e, principalmente, monitorar. A atuação conjunta de empresas, governo e sociedade será essencial”, afirma Marina Grossi, presidente do Conselho Empresarial Brasileiro Para o Desenvolvimento Sustentável – CEBDS. Ela diz estar otimista, mas acredita que só será possível cumprir os compromissos com mais investimento em eficiência.


Também em 2015, o Prêmio Brasil Ambiental reconheceu a importância do setor privado ao lançar uma publicação sobre os dez anos de incentivo às boas práticas empresariais, com todos os projetos vencedores. “É impossível pensar uma agenda sustentável sem participação das empresas. E, sem sombra de dúvida, o prêmio contribui para a criação da cultura da sustentabilidade no setor”, enfatiza Kárim.


Marina Grossi ressalta que, do Protocolo de Kyoto ao Acordo de Paris, o engajamento das empresas cresceu. “Grande responsável por gerar insumos e tecnologias que ajudam no combate aos impactos ambientais, o setor privado, atualmente, promove ações de conservação da biodiversidade e de recursos hídricos, gestão de resíduos e redução das emissões de gases do efeito estufa e de efluentes”, destaca.


Investimento estratégico


A sustentabilidade está presente em todas as atividades da maior geradora privada de energia do País, a antiga Tractebel, que, em julho deste ano, passou a se chamar Engie Brasil Energia. Premiada por 11 projetos, em nove edições do Prêmio Brasil Ambiental, a companhia, sediada em Florianópolis, tem 85% de energia gerada por fontes renováveis.


“O grupo passa por uma profunda transformação que começou na Europa rumo a um ambiente de negócios baseado em descentralização, digitalização e descarbonização”, afirma o diretor-presidente da Engie Brasil Energia, Eduardo Sattamini, enfatizando que o respeito ao meio ambiente está no centro da filosofia, do planejamento e da estratégia da empresa.


De 1998 até agora, a Engie já investiu mais de R$ 168 milhões em 130 projetos de pesquisa e desenvolvimento em parceria com 35 entidades. Nos últimos cinco anos, foram feitos 11 pedidos de patentes. “Estamos investindo fortemente nas fontes renováveis, com ênfase em pesquisas em energia solar e eólica e otimização de processos a fim de melhorar o desempenho ambiental. Até 2018, teremos mais R$ 48 milhões de investimento”, diz Sattamini.


O compromisso assumido nas Políticas de Gestão Sustentável e de Mudanças Climáticas da empresa abrange: controle das emissões atmosféricas, baixa pegada de carbono e água, redução e reciclagem de resíduos, conservação da biodiversidade e construção de centros de cultura, parques ambientais, hortos e programas de educação ambiental. As ações alcançaram amplo reconhecimento. A empresa é uma das dez que integram o Índice de Sustentabilidade Empresarial – ISE, da Bolsa de Valores de São Paulo, desde que ele foi criado, em 2005, para acompanhar o desempenho financeiro de empresas líderes em sustentabilidade com ações negociadas. Além disso, está em primeiro lugar no ranking do Prêmio Brasil Ambiental.


“O prêmio é um dos mais importantes do País. Ser reconhecido em 11 projetos é a confirmação de que estamos no caminho certo”, afirma Sattamini. Nos 12 anos do Prêmio Brasil Ambiental, a evolução do conceito de sustentabilidade se refletiu em novas categorias. As de 2005 eram: gestão de águas, florestas, gestão de resíduos sólidos e mecanismo de desenvolvimento limpo. A partir de 2011, surgiram categorias como responsabilidade socioambiental, gestão sustentável e patrimônio cultural brasileiro.


Mudança de paradigma


Consumidores conscientes, ao valorizar marcas que respeitam o meio ambiente, levaram o mercado a aprimorar o conceito de sustentabilidade. É o que afirma Silvina Ramal, presidente do Comitê de Responsabilidade Social Empresarial da AmCham Rio e sócia da ID Projetos Educacionais.


“Esse é um grande incentivo para as empresas privadas, que hoje sabem o que é trabalhar de forma sustentável. Um exemplo claro são as empresas cruelty-free, que não utilizam testes com animais na pesquisa e no desenvolvimento de novos produtos”, diz. Silvina destaca outros dois pontos que fazem diferença na tomada de decisão dos empresários: os investidores, que reconhecem o valor de companhias que trabalham de forma sustentável, e o impacto na gestão de recursos humanos.


“Estudos da BM&FBovespa mostram que os papéis das companhias ‘do bem’ têm melhor desempenho e menor volatilidade do que os das demais empresas. E as que adotam programas de voluntariado têm uma redução significativa nas taxas de turnover”, exemplifica. Ela alerta, porém, que não basta ter um departamento responsável pelo tema. “A responsabilidade social tem que permear o planejamento estratégico, influenciar os processos de trabalho, fazer parte da cultura da organização.”


A presidente do CEBDS faz coro: “Práticas sustentáveis contribuem para a retomada do crescimento econômico, o desenvolvimento social e tecnológico e colaboram na transição para uma economia de baixo carbono”, afirma Marina Grossi.


Segundo ela, o Acordo de Paris, assinado após a COP 21, cria oportunidades para o desenvolvimento de tecnologias limpas e aumenta a pressão da sociedade e de possíveis parceiros comerciais para que o modelo de negócio não tenha impacto ambiental negativo. “As empresas têm um papel fundamental na mudança do paradigma da economia, que deve passar de um modelo focado exclusivamente no crescimento econômico, preocupado com indicadores financeiros, para um modelo de desenvolvimento econômico, que considera os aspectos social e ambiental”, destaca.


Tal transformação demanda mudanças, que passam por uma nova forma de pensar, consumir e produzir. Considerando os desafios mundiais, o encontro da ONU definiu três temas prioritários: energia e mudança do clima, cidades e alimentos e uso da terra. O Rio de Janeiro integra o grupo de Grandes Cidades Pela Liderança Climática (C40), que se comprometeu a reduzir as emissões de carbono em 3 bilhões de toneladas até 2030.


“A interação e o compartilhamento têm surtido efeito. Em 2011, 14% das ações climáticas partiram das cidades, percentual que, em 2015, alcançou 51%”, afirma a presidente do CEBDS. As soluções do Rio se concentram no setor de mobilidade urbana – responsável por 31% do total de emissões de 2012 – visando a estimular a melhoria do transporte público, a expansão de ciclovias e o uso de biocombustíveis. Outra iniciativa é a gestão de resíduos, com a campanha Lixo Zero, que investe em reciclagem e reúso de materiais.

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