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“Quando excluímos as pessoas da empregabilidade, excluímos a sua cidadania”

22/09/2016 em Notícias
Seminário da AmCham Rio discutiu estratégias para promover a diversidade nas empresas
Evento discutiu estratégias para promover a diversidade nas instituições.
A cultura da diversidade e da inclusão nas empresas foi tema de seminário realizado pela Câmara de Comércio Americana do Rio de Janeiro (AmCham Rio), nesta quarta-feira (21/09). Especialistas foram uníssonos ao afirmar que instituições que adotam ambientes de trabalho diversos vão muito além da obrigação legal ou social, criam vantagens competitivas, promovem a inovação e impulsionam os resultados.


O primeiro painel do evento contou com a presença de Marcos Panassol, sócio da PwC; Anna Paula Rezende, diretora executiva de talentos e sustentabilidade da White Martins; Carlos Tufvesson, da coordenadoria especial da diversidade sexual do Município do Rio de Janeiro; e moderação de Silvina Ramal, presidente do Comitê de Responsabilidade Social da AmCham Rio e sócia da ID Projetos Educacionais. Já o segundo painel foi composto Janaina da Cunha Torres, gerente de desenvolvimento organizacional e remuneração da Thyssenkrupp e Silvina Ramal, com moderação de Daniela Brites do Rêgo, gerente sênior da EY.


Há 20 anos como militante dos direitos LGBTs, Carlos Tufvesson foi enfático ao afirmar que o ideal seria que a sociedade não precisasse de leis para incluir a todos, mas que a realidade da busca por um mercado mais inclusivo está longe do ideal. Para ele, inclusão não é um gasto, mas sim um investimento. “Como alguém vai render no trabalhando fingindo ser o que não é?”, questiona.


De acordo com a coordenadoria especial da diversidade sexual do Município do Rio de Janeiro, criada há 5 anos, 92% das travestis e transexuais que se prostituem na cidade gostariam de estar no mercado formal de trabalho, mas não conseguem. “Quando excluímos as pessoas da empregabilidade, excluímos a sua cidadania”, disse Tufvesson. Mostrando o artigo 5º da Constituição – todos somos iguais perante à lei – o coordenador do Programa Rio Sem Preconceito relembra que as leis são apenas o início da mudança, e que a luta pelo direito do outro é um dever de todos. “Se um de nós não tem direitos civis, então nenhum de nós têm”, afirmou.


De acordo com pesquisa da PwC, 64% das empresas no mundo e 75% das empresas brasileiras têm estratégias para promover a diversidade. Dessas, 88% afirmam que esse aspecto aumenta a capacidade de inovação e 73% acreditam que impacta os resultados dos negócios. As principais vantagens vistas pelos CEOs são a atração de talentos, o melhor desempenho dos negócios e o fortalecimento da marca. No entanto, para o sócio da consultoria, há mais intenção do que ação. “Falta implementar esse discurso e evoluir do conceito para a prática”, disse Panassol.


As ações da PwC para adotar essa cultura começam com o presidente membro do Conselho Global de Diversidade, e na adesão aos programas He for She e Womem Empowerment, ambos da ONU. Além dos programas de flexibilidade de horários para mães e pais, capacitação do RH, sensibilização de gestores e processos seletivos inclusivos. “Queremos ter a diversidade em nosso DNA”, afirmou o sócio.


A White Martins também acredita que a diversidade promove inovação. “No Brasil, nosso foco é incluir mulheres, afrodescendentes, LGBT’s e deficientes”, afirma Ana Paula. E como a cultura da inclusão ainda não é natural nas empresas, é preciso criar mecanismos para isso, de acordo com a diretora. Por isso, a empresa tem parcerias para garantir, por exemplo, 53% de mulheres e 20% de negros entre os estagiários. “Fui a primeira mulher na diretoria da White Martins no Brasil, em 80 anos”, disse, orgulhosa, Ana Paula, que acredita na mudança desse paradigma por meio de, pelo menos, 30% de minorias nas organizações. “Por que não colocar uma mulher para dirigir um caminhão tanque? ”. Para ela, não se deve buscar igualdade, mas sim justiça. “Temos que tratar todos como iguais, mas respeitando as diferenças”, finalizou.


Outra questão é como lidar com as diferenças culturais quando há várias nacionalidades em uma mesma empresa. Esse é o desafio da Thyssenkrupp, empresa alemã, no Brasil há 71 anos. Janaina, gerente de desenvolvimento organizacional e remuneração da companhia, diz que foi preciso mais do que guias e dicas de integração. “Já enviamos mais de 300 expatriados, entre executivos e técnicos, para a Alemanha e recebemos muitos alemães também, através do programa Job Swap – permuta de postos de trabalho entre profissionais de dois países”, afirmou. Ela acredita que a melhor forma de conhecer a outra cultura é vivenciando e que quanto mais jovem é o profissional, menores ficam as diferenças culturais, consequência da globalização e do uso de internet.


Para Silvina Ramal, há outro aspecto que influencia as decisões na hora da contratação. É a influência da neurociência, que ultrapassa o inconsciente. “A forma como tomamos decisões não são tão racionais como pensamos”, disse a especialista. Para ela, isso acontece por causa do efeito Halo, tendência de o ser humano decidir algo baseado em uma única característica. E como consequência disso, por exemplo, pessoas bonitas – de acordo com os padrões estéticos – são contratadas e promovidas mais rápido, melhor remuneradas e conseguem mais vendas e negócios. Para Silvina, a mudança vem por meio do diálogo. “A nova face do preconceito é achar que ele está superado e, portanto, não precisamos mais discutir”, concluiu.


Veja as fotos do evento: http://bit.ly/diversidadeamchamrio
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