Fale conosco - Downloads - Notícias
Home
Notícia
<< Voltar

O futuro da economia em jogo

22/06/2016 em BRAZILIAN BUSINESS
Grandes eventos, como os Jogos Olímpicos, colocam cidade em evidência, mas é preciso saber aproveitar a janela de oportunidades
Arena do Futuro será transformada em quatro escolas municipais após os jogos
Tai Nalon
comunicacao@amchamrio.com


Se os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro são uma oportunidade para a cidade chegar ao auge em uma de suas principais vocações econômicas, como o lazer, também se tratam de uma chance de promover potencialidades menos óbvias, como o turismo de negócios. Com base nisso, a Brazilian Business ouviu um grupo de especialistas, representantes de governo e de entidades civis que se revelaram unânimes: o evento colocará a cidade no mapa do turismo e dos negócios de forma nunca antes vista. Mas é preciso saber como aproveitar essa oportunidade.


O subsecretário especial de Turismo da RioTur, Philipe Campelo, é dos que acreditam na vocação do Rio de Janeiro para os negócios. Ao comentar as potencialidades da Cidade Maravilhosa, ele dá a fórmula: enquanto for 34% mais caro fazer um evento de negócios no Rio do que em São Paulo, a cidade ficará à mercê da sazonalidade do turismo de lazer. Para contornar o problema, a administração municipal apostou em infraestrutura.


"Em 2009, não havia site da secretaria de turismo e só tínhamos dois balcões de informação turística na cidade, que funcionavam apenas em horário comercial. Hoje, o Rio tem uma marca e um site, o visit.rio, além de 14 balcões de informação, alguns funcionando 24 horas”, diz.
Christophe Lorvo, gerente geral do Grand Hyatt Rio de Janeiro, faz coro com Campelo. "Com a chegada de grandes marcas à cidade, o Rio ganha melhorias em questões primordiais como serviço ao consumidor, oferta de serviços internacionais e treinamento de funcionários em determinadas áreas, como a hotelaria. Além de inúmeras obras públicas deixadas como legado das Olimpíadas, as empresas privadas também continuam no Rio, mesmo após o evento”, diz.


A rede de hotéis representada por Lorvo se estabelece na Barra da Tijuca sob pretexto de receber turistas interessados no evento esportivo, mas é na projeção da cidade como destino global de negócios que o Grand Hyatt aposta. A grife hoteleira conta, por exemplo, com um centro de convenções formado por nove salas e dois salões com capacidade para eventos de até 2 mil pessoas.


"Oferecemos soluções que vão desde pequenas reuniões até grandes eventos. Possuímos uma equipe dedicada apenas para atender as demandas de catering e eventos”, reitera Lorvo.
Integrada à estrutura hoteleira estará a malha de transportes – principal legado olímpico, segundo o diretor-geral da Rio 2016, Sidney Levy. Ele, que já foi presidente da Câmara de Comércio Americana do Rio (AmCham Rio), afirma que os sistemas de mobilidade de alta capacidade sempre foram usados por parcela pequena da população. "Agora, uma parcela grande usará, transformando a qualidade de vida do cidadão comum.”


“A Olimpíada é o maior evento humano fora da guerra em mobilização de pessoas. Só se faz um evento desse tamanho quando você mobiliza pessoas e empresas a se juntarem nesse esforço”, completa.


O Comitê de Turismo e Negócios da AmCham Rio também trabalha nesse sentido, de que as oportunidades pós-jogos estão na mobilização de pessoas e empresas. Alexandre Cavalcanti, presidente do Comitê, defende a ideia de que é preciso fazer um trabalho de convencimento junto a investidores americanos. Segundo ele, não falta vontade de investir no Rio; falta informação a respeito da cidade (leia a entrevista da página 36).


O turismo de negócios também poderá ser impulsionado com o avanço dos esforços para a entrada do Brasil no Global Entry Program e a futura inclusão do país no Visa Waiver Program. A aproximação entre os países foi referendada na última visita da presidente afastada, Dilma Rousseff, aos EUA, em visita oficial a Barack Obama. Segundo as normas estabelecidas em 2015, será permitido ao viajante frequente entrar no País passando por quiosques automáticos em vez de funcionários da imigração. No entanto, até o encerramento da edição desta revista, não havia decisão oficial da chancelaria de ambos os países para que o acordo entrasse plenamente em vigor na data estabelecida.


A AmCham Rio acredita, porém, que as duas iniciativas podem contribuir para a isenção integral e recíproca de vistos de viagens entre o Brasil e os EUA. E há razões para isso. De acordo com a RioTur, até 2009, americanos eram os turistas mais frequentes no Rio. Hoje, perderam protagonismo para os argentinos, que, desde 2010, dominam o mercado. A empresa de turismo do município crê em mudanças drásticas nesse comportamento com a eventual evolução dos procedimentos imigratórios entre os dois maiores países do continente americano.


Para impulsionar o turismo de negócios, há de se ter estratégias sólidas de negócios. Para isso, a Prefeitura do Rio e o governo do estado traçam planos para a retomada de investimentos em setores tradicionais da economia local, como o de energia.


O motivo é simples: as Olimpíadas ajudaram a diminuir os impactos da crise econômica no Rio. No primeiro trimestre de 2016, a taxa de desemprego no estado chegou a 5,2%, contra mais de 8% nacionalmente. No entanto, segundo o Sindicato da Construção Pesada, quase 9 mil trabalhadores foram dispensados em 2015 – e deve aumentar, já que as obras dos jogos chegarão ao fim. A entidade contabiliza que 30 mil trabalhadores estão empregados no setor.


A ideia é que, com a liberação da mão de obra exclusivamente voltada aos eventos esportivos, haja capacidade de o mercado tradicional absorvê-la e gerar mais empregos. Dessa forma, para que o desenvolvimento do Rio não fique refém de novas rodadas de investimentos no setor de petróleo, também em retração, o secretário estadual de Desenvolvimento, Energia e Indústria, Marco Capute, defende investimentos em outras áreas do setor.


"O estado do Rio de Janeiro acredita no desenvolvimento da indústria fotovoltaica e, também, na instalação de indústria de montagem de painéis fotovoltaicos que se beneficiaria de condições logísticas favoráveis ao atendimento dos mercados nacional e internacional”, disse o secretário à Brazilian Business.


Segundo ele, há interesse do governo estadual em apoiar o desenvolvimento da geração de energia por meio de fontes renováveis e já há estrutura necessária para a diversificação do setor: o Rio conta com academia e tem capacidade de apoiar essa indústria, com pesquisa e inovação, além de, sobretudo, elevado nível de insolação.


A queda do preço do barril de petróleo e as incertezas sobre a continuidade ou não da participação mínima de 30% e da condição de operadora única da Petrobras nos consórcios do pré-sal provocaram essa reação, de tornar o Rio um polo gerador de energia de todo tipo. "A indústria do petróleo atua com investimentos a longo prazo”, disse ele, que afasta a ideia de paralisação do setor.


No entanto, reiterou: "Antes de se falar em retomada dos investimentos no setor é importante discutir novas rodadas de licitação, principalmente do pré-sal, e a retirada da obrigatoriedade da Petrobras como operadora única. Outro ponto que deveria ser redefinido é a regra de conteúdo local, que poderia estimular através de incentivos e não punir os operadores”.


O secretário estadual de Fazenda, Julio Bueno, também conta com a revisão do marco que regula o setor de óleo e gás para sanear as contas públicas. O estado do Rio de Janeiro poderá ter, em 2016, um déficit de R$ 18 bilhões, que só será pago se medidas como a renegociação dos débitos com a União, a licitação de concessões e a diminuição da folha de pagamento forem implementadas. A alternativa é o aumento da arrecadação – o que só acontece com a ampliação dos investimentos locais.


Para isso, ele endossou o discurso de Capute, de que é necessário mudar o regime de operação de consórcios no pré-sal. "As mudanças que estão sendo discutidas poderão trazer vantagens importantes como, por exemplo, a realização de novos leilões e, portanto, uma nova onda de investimentos no estado e no País. Há potencial de leilões imediatos para o equivalente a 10 bilhões de barris, que poderão gerar investimentos de alguns bilhões de dólares”, disse.


Bueno lembrou que, tradicionalmente, o setor de petróleo é o principal contribuinte de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) no Rio de Janeiro. No ano passado, com a redução nos preços do barril e a redução dos investimentos da Petrobras, o setor caiu para o segundo lugar entre os contribuintes de ICMS, perdendo para a energia elétrica. Uma ação coordenada no setor, nessas duas frentes, é o que o governo estadual espera.
Agenda

mantenedores

OURO

PRATA

  • Praça Pio X, 15 / 5º andar – Centro
    CEP: 20040-020 – Rio de Janeiro/RJ
  • + 55 (21) 3213-9200
    Fax: 55 (21) 3213-9201
  • amchamrio@amchamrio.com
Redes AmChamRio
  • COPYRIGHT © 2012.