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Depois do boom das commodities: políticas públicas para diversificar economia

03/06/2016 em Notícias
Em painel do BFA, Jorge Arbache, professor de economia da UnB, aposta em inovação digital para aumentar produtividade e exportação brasileira
Jorge Saba Arbache Filho, professor de economia da Universidade de Brasília e consultor internacional fala sobre a diversificação da base econômica brasileira.
Thaiza Pauluze
thaizapauluze@amchamrio.com


O segundo painel da conferência internacional Business Future of the Americas (BFA) falou sobre as estratégias para diversificar a base econômica brasileira depois do fim do boom das commodities, no mundo. Com a moderação de Alexandre Viotto, vice-presidente do Citibank Treasury Desk, Jorge Saba Arbache Filho, professor de economia da Universidade de Brasília e consultor internacional, falou sobre o papel das políticas públicas nesse cenário, no dia 23 de maio, no hotel Sheraton Grand Rio.


Uma relação primordial, para Arbache, é que as economias mais diversificadas têm instituições democráticas, sólidas e bem avaliadas. Já as com menos diversificação, além de serem politicamente mais instáveis, tendem a ser mais expostas a choques externos, desenvolvem pouco conhecimento e têm taxas de crescimento do PIB voláteis. “Economias pouco diversificadas são dependentes de poucos setores, com elevada participação do primário, e mais recentemente, do terciário no PIB”, disse. Este último, de baixa produtividade e concentrado em atividades de consumo final com pouco valor adicionado.


Para o especialista, uma questão fundamental é a mudança dramática do conceito de atividade industrial. “A indústria do século XXI é a que cada vez mais se caracteriza pela sinergia entre bens e serviços. Os celulares, as marcas de roupas, as impressoras 3D, a nanotecnologia e os robôs são exemplos”, disse Arbache. A redução do ciclo de vida dos produtos e serviços e a consolidação dos mercados globais, com acordos plurilaterais, também foram apontados como mudanças significativas na indústria.


A aposta atual é na economia digital, maior fonte de dinamismo e de crescimento da produtividade. O consultor espera uma estagnação dos fluxos de mercadorias e finanças e um crescimento do fluxo de dados e serviços. “A economia digital é a fonte primaria de geração de riqueza do século XXI”, enfatizou. Arbache ainda acredita que haverá um aumento nas divergências entre os países diversificados e não diversificados.


Ao falar do Brasil, Viotto foi ainda mais incisivo afirmando que quanto mais dependente o País for das commodities, mais volátil ele será. “Se você quiser prever todo o movimento comercial de países como o Brasil, basta observar o valor de cinco commodities”, disse. Para o moderador, a estratégia para mudar o cenário atual é investir em inovação, pois além de servir para criar uma pauta de exportação mais diversificada, traz mais resiliência para as economias. “O País melhor colocado no ranking de inovação é o Chile e depois o Panamá. A Colômbia está melhorando. Já o Brasil caiu 18 posições”, disse o vice-presidente do Citibank Treasury Desk.


Segundo os especialistas, a falta de inovação explica a baixa produtividade da economia brasileira. “A volatividade do nosso crescimento é muito elevada. Só perdemos para a África Subsaariana. Depois de nós, tem a América Latina e o Caribe. Isso ajuda a entender por que a taxa de crescimento a longo prazo é muito baixa”, definiu Arbache. Além disso, os custos menos onerosos já não são suficientes para garantir o desenvolvimento econômico dos países emergentes e a competitividade das empresas. “Na era da globalização, o que importa é o que e como fazemos as coisas. Ou seja, a capacidade de criar, de fazer melhor, de agregar valor e de apresentar soluções novas e eficientes”, disse o consultor internacional.


A solução para o caso brasileiro, então, seria pensar as políticas públicas usando como exemplos casos de sucesso, como a Embraer, a Petrobras, o CENPES e a Embrapa. Isso por quê todos foram gestados e desenvolvidos em universidades de ponta, ou seja, estão associados ao conhecimento. Arbache enfatiza, ainda, que não se deve pensar em investir por si só. Mas sim, questionar “quais infraestruturais, quais acordos de comércio, que edução e treinamento profissonal, que política fiscal, que tipo de inserção na economia global? Novos problemas exigem novas perguntas”, concluiu ele.


O Business Future of the Americas é uma realização da Câmara de Comércio Americana do Rio de Janeiro (AmCham Rio) junto à Associação das Câmaras de Comércio Americanas da América Latina e Caribe (Aaccla), com Patrocínio Master da Amil e da Med-Rio Check-Up e Patrocínio da Chevron.


Veja as fotos do evento: http://bit.ly/fotosBFA

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