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Tempo de amadurecimento e de modernização

05/04/2016 em BRAZILIAN BUSINESS
O desafio de fortalecer o diálogo entre empresários brasileiros e americanos
Inauguração de Brasília marca período de mudanças na política no Brasil
Natanael Damasceno
comunicacao@amchamrio.com


Em outubro de 1997, contrariando expectativas, o então presidente americano Bill Clinton encerrou sua visita de dois dias ao Brasil deixando um saldo positivo para a diplomacia das duas nações. Depois do vazamento de um relatório interno feito pela equipe americana apontando a corrupção como um dos problemas mais graves do Brasil, havia quem visse a viagem como uma sucessão de deslizes desde os preparativos, mas o próprio presidente americano tratou de contornar a situação.


“É indiscutível o fato de que alguma coisa mudou. O Brasil está mais maduro, senhor de si, sabe o que quer”, disse, em entrevista ao jornal O Globo, a então secretária de Estado americana, Madeleine Albright, que, no dia anterior, participara de um encontro de trabalho entre integrantes da comitiva presidencial e empresários brasileiros promovido pela Câmara de Comércio Americana do Rio de Janeiro (AmCham Rio). A viagem, que começou por Brasília e terminou em São Paulo, por especial envolvimento da câmara, incluiu o Rio na programação.


Ao fim, mais que as cenas antológicas do ex-presidente americano jogando bola com Pelé na Mangueira, a passagem de Clinton na cidade rendeu desdobramentos que a deixaram marcada como um dos ápices da relação entre os dois países. “Espero sinceramente que possamos trabalhar juntos para escrever o próximo capítulo sobre integração e crescente prosperidade, não apenas para alguns, mas para todos os nossos cidadãos. Esta câmara de comércio merece enorme crédito pelo trabalho que tem sido feito para propagar as oportunidades aqui no Rio”, discursou Albright na AmCham Rio.


No mês em que se comemora o centenário da entidade, a terceira e última reportagem da série que passa em revista a história da câmara discorre sobre o trabalho realizado por seus membros desde meados do século passado, sempre ao lado de princípios como a defesa da democracia, da livre iniciativa, do sistema de mercado e da liberdade comercial. Trabalho que pode ser visto num esforço contínuo para diminuir arestas e pavimentar as relações entre o Brasil e os Estados Unidos.


“É essencial que essas duas grandes nações do hemisfério cresçam ainda mais fortes e próximas e que se aprofundem em seu entendimento mútuo.” A afirmação, de Richard C. Fellon, presidente da AmCham Rio no início da década de 1960, reflete muito dos princípios que nortearam as atividades da entidade não só naquele período, mas também nas cinco décadas que se seguiram. Na época, a instituição já havia consolidado seu papel de eficiente promotora das relações entre os dois países. Atuação que, traduzida em números, era publicada periodicamente na revista Brazilian Business.


Fellon proferiu a frase em um evento dedicado ao recém-empossado presidente brasileiro João Goulart, em 1962, pouco antes de o dirigente brasileiro embarcar rumo a Washington. E, assim como ele, outros representantes da AmCham Rio buscaram, ao longo desse período, aumentar o diálogo entre empresários e dirigentes brasileiros e americanos de forma a melhorar as relações de toda natureza entre os dois países.


Ao longo de sua existência, a câmara buscou interlocução com 27 presidentes brasileiros e 17 americanos. E enfrentou crises, muitas delas econômicas e políticas, dentro e fora do Brasil, ora aproximando, ora afastando os dois países. João Branco, professor de relações internacionais da ESPM Rio, destaca que esse cenário, repleto de altos e baixos, sempre fez parte da relação entre as duas nações. “É uma característica que vem desde o início desse relacionamento. Sempre houve ciclos de maior aproximação ou distanciamento, em geral acentuados por diferenças na matriz ideológica dos eventuais governos dos dois países. Mas note que nunca houve deterioração nessas relações”, diz o professor.


Branco cita como momentos de maior proximidade, além do período no qual Clinton e Fernando Henrique Cardoso governavam os dois países, os anos entre 1956 e 1960, no governo do presidente Juscelino Kubitschek, quando uma série de investimentos americanos impulsionou o progresso do País em todos os setores, principalmente na indústria. Outro momento lembrado é o início do regime militar, quando a taxa de crescimento do PIB brasileiro chegou a 10% ao ano. Em contraponto, os momentos de afastamento, segundo o especialista, não foram poucos: vão da crise política interna que antecedeu a deposição do presidente João Goulart, em 1964, ao momento em que o País começou a buscar uma maior diversificação dos parceiros comerciais, nos anos 2000, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.


Acompanhando cada passo dessa relação, a AmCham Rio amadureceu década a década, buscando cumprir seu papel. E, da mesma forma que aproveitou as melhores fases desse período, sempre esteve ao lado de seus associados nos momentos de depressão. No início da década de 1980, a entidade, atenta à conjuntura econômica, chegou a antecipar aos associados uma nova crise do petróleo, que, em 1983, traria recessão, desemprego, e uma taxa de inflação de 200% ao ano. E, em 1998, a Câmara de Comércio Americana no Espírito Santo, filial da AmCham Rio, inicia suas atividades.


No decorrer dos anos 1990, a AmCham Rio discutiu com mais intensidade a criação da Área de Livre Comércio das Américas – Alca, que acabou naufragando em virtude da conjuntura política e econômica desfavorável. Sob a liderança de Gabriela Icaza, única mulher a presidir a instituição, em 2001 e 2002, a câmara criou um comitê de comércio exterior e integração das Américas, cujo objetivo era contribuir com as discussões relacionadas ao tema e mobilizar o empresariado nacional. “Tinha uma série de leis que queríamos mudar, e tratamos de assuntos que estavam pendentes naquele momento, em que o País saía de uma moratória. Mas também trabalhamos muito para alavancar o setor do petróleo no Rio. Fizemos um trabalho duro de networking, levando autoridades fluminenses aos Estados Unidos para conhecer outras pessoas, discutir pontos interessantes, buscar investimentos”, conta Gabriela.


Ela se refere à visita do então governador do Rio, Anthony Garotinho, acompanhado de uma missão comercial a Nova York, Washington, Atlanta e Miami. Nesse mesmo período, a AmCham Rio realizou diversos eventos com foco no fortalecimento do comércio e nos investimentos diretos, como a conferência internacional Brazil Energy and Power – BEP, em Houston. Nessa década, já com Lula na presidência, a estabilidade econômica consolidada e a credibilidade restabelecida, a AmCham Rio promoveu uma série de debates com ministros e outros membros da nova administração federal para discutir os desafios e as oportunidades entre Brasil e Estados Unidos. Além disso, trouxe para o Brasil, pela primeira vez, em 2006, a Business Future of the Americas – BFA, principal evento anual da Associação das Câmaras Americanas de Comércio da América Latina e Caribe – Aaccla, que volta ao Rio de Janeiro em 2016.


Outro executivo que atuou na presidência da entidade, Robson Barreto lembra que o trabalho no período foi muito proveitoso e rendeu frutos duradouros. “Em meados de 2008, a economia brasileira passava por um ótimo momento e, com o recém-empossado Sérgio Cabral, havia uma nova administração no Estado. Foi um momento muito profícuo, e navegamos e surfamos essa boa onda. Existia a clara consciência de que muito havia sido feito e de que havia muito por fazer.”


Os momentos de euforia, no entanto, não apagaram os tempos difíceis atravessados pela instituição nas últimas cinco décadas. Nos anos 1980 e 1990, a entidade teve que aprender, como outras instituições brasileiras, a lidar com a crise. Quem lembra é Terezinha Marques, que foi secretária da revista Brazilian Business. Contratada, em 1977, para trabalhar com a editora Jacy P. Porteous, ela atuou na AmCham Rio por 30 anos. Terezinha lembra que a revista chegou a deixar de ser editada por um curto período por causa das dificuldades impostas pela economia.


“A publicação, muito bem conceituada, era editada toda em inglês e distribuída nos voos da Pan Am. Eu cuidava do controle de assinaturas e mandava exemplares até para o Japão e a Austrália. Mas o papel ficou muito caro e os impostos eram altos”, lembra. O período coincidiu com o bloqueio financeiro decretado pelo Plano Collor, que trouxe para a AmCham Rio uma experiência inédita: cofres vazios. A solução foi uma reunião de esforços dos sócios para a superação do problema.


No entanto, Terezinha, diz que, mesmo na crise, nunca se arrependeu de adotar a AmCham Rio como sua segunda casa. “Antes de começar aqui, havia feito um intercâmbio em Dakota do Sul. Era fascinada pela cultura americana e encontrei no prédio em que funcionava a AmCham, na Avenida Rio Branco, 123, um pedaço dos Estados Unidos no Rio”, afirma a secretária, que aponta as festividades pelos 80 anos da câmara como o evento que mais a marcou durante os 30 anos que trabalhou na entidade. Na ocasião, o próprio presidente Fernando Henrique comandou a festa, que teve a participação de líderes empresariais, autoridades das três esferas de governo e especialistas de todos os setores da economia.


Terezinha, que também cuidava da publicidade da revista, um termômetro do sucesso e do alcance da Brazilian Business, afirma: “Era mais fácil vender, pois a revista era muito conceituada. E tínhamos clientes fiéis”. Clientes como General Electric, uma das empresas que sempre patrocinaram a Brazilian Business e sempre estiveram ao lado da câmara. “A história da AmCham Rio é extremamente conectada com a história da GE, que foi uma das primeiras empresas fundadoras da instituição. Em parceria, contribuímos para o desenvolvimento local e crescimento do Brasil, trabalhando inovação e competitividade”, diz o atual presidente da companhia, Gilberto Peralta.


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