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Tempo de industrialização e de parcerias com os EUA

14/01/2016 em Notícias
AmCham Rio e sua publicação oficial se consolidam com ferramenta para melhorar as relações comerciais entre brasileiros e americanos
Industrialização: carroças foram usadas pela Vale na Mina do Cauê; a empresa foi criada em 1943
Por Natanael Damasceno


A entrada do Brasil no clube dos países industrializados e a transformação dos Estados Unidos em um dos principais atores do cenário político mundial marcam o cenário da segunda reportagem da série sobre os 100 anos da Câmara de Comércio Americana do Rio de Janeiro (AmCham Rio). Está documentada, nas páginas da Brazilian Business da época, a participação da câmara para melhorar as relações bilaterais entre ambos os países. Uma tarefa árdua, uma vez que os cenários social, político e econômico passaram por altos e baixos do início da Segunda Guerra Mundial, em 1939, à mudança da capital brasileira para o Planalto Central, em 1960, um dos marcos das transformações que sacudiram o País e que foram registradas nas páginas na revista, que também experimentou uma série de mudanças. Experiências que refletiram as transformações pelas quais a própria AmCham Rio passou neste período.

Uma análise da expansão industrial brasileira publicada na edição de outubro de 1944 mostrava que o número de indústrias em território brasileiro pulara de 70.026, em 1941, para 80.633, em 1942. Um aumento de 15% em 12 meses. Já o número de trabalhadores empregados pela indústria, que em 1907 era de apenas 136 mil, chegou a 1,3 milhão em 1942. Houve um crescimento dramático da produção industrial. O texto destaca que, entre 1938 e 1940, a produção de roupas de algodão teve um acréscimo de 54%; a de pneus, 300%; a de vinhos, 370%; e a de roupas de seda, 1.170%.

A relação comercial com os Estados Unidos também mudou. E muitas evidências dessa transformação passaram pelas páginas da Brazilian Business, como a visita de personalidades como o cineasta Walt Disney e o empresário Nelson Rockefeller durante o período da guerra: um esforço para estreitar os laços entre os dois países e barrar a influência alemã. A propaganda oficial era liderada pelo Departamento de Imprensa e Propaganda do Estado Novo de Getúlio Vargas.

Finda a guerra, a Conferência Interamericana para a Manutenção da Paz fica em evidência, em 1947, quando é assinado o Tratado Interamericano de Assistência Recíproca, cujo objetivo é reagir em conjunto à ameaça contra qualquer país das Américas. O evento, realizado no Rio de Janeiro, marcou o encontro dos presidentes Harry Truman e Eurico Gaspar Dutra num momento em que se consolidava a Guerra Fria. As relações entre o Brasil e os Estados Unidos apontavam para um período dourado de cooperação. Uma nova realidade que descortinou todo um cenário de oportunidades à AmCham Rio, que pôde utilizar toda sua expertise costurando acordos de facilitação comercial entre os dois países.

Muito desse esforço acabou noticiado nos jornais da época. “Inaugurou-se ontem com um almoço no Automóvel Clube promovido pela Câmara Americana de Comércio a 11ª Semana do Comércio Exterior, no decorrer da qual serão tratadas questões da mais alta relevância pertinentes ao intercâmbio comercial entre o Brasil e os Estados Unidos”, anunciava reportagem da edição matutina do jornal O Globo do dia 23 de maio de 1946. E tudo foi documentado nas páginas da Brazilian Business, que apesar, de um breve período de dificuldades econômicas agravadas pela proibição temporária de publicar anúncios, no início dos anos 1940, acabou se consolidando como uma das mais importantes fontes de informação para os americanos que desejavam fazer negócios no Brasil.

A revista ganhou, em 1942, a primeira das reformas gráficas destinadas a modernizar a publicação. Além disso, tornou-se o órgão oficial das câmaras do Rio e de São Paulo, cidade que cresce exponencialmente com o processo de industrialização. A união acaba dando força à Brazilian Business, que passa a ser distribuída apenas aos membros das duas câmaras.

Em 1946, a chegada de um novo editor, Sérgio de Souza, e um novo pacote de mudanças evidenciam o esforço da AmCham Rio em aproximar a publicação do público. Surge a “Síntese brasileira – uma seção especial”, escrita em português, resumindo o conteúdo da revista para os leitores brasileiros; e a coluna “Oportunidades”, em inglês e português, que listava chances de negócios tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos. Antes restrita a membros, a Brazilian Business volta a ser vendida por assinatura.

Aos poucos, as mudanças se revelaram mais profundas. A revista, que sempre compilou informações valiosas e gráficos estatísticos que ofereciam uma sólida analise da economia e das atividades de negócios no Brasil, deixa de ser, nas palavras do novo editor, “um frio e despretensioso relatório”, para se transformar em uma publicação mais alinhada com os novos paradigmas do jornalismo, tão em voga nos Estados Unidos. Um artista foi contratado para desenhar gráficos, títulos e cartuns.

Uma edição especial, em setembro de 1946, publicou na íntegra a nova constituição promulgada naquele ano. No mês seguinte, um editorial alerta para as contradições do País em crescimento e reclama da dificuldade em compilar informações nacionais e da falta de visão do governo.

Três anos depois, ao deixar o cargo, Sérgio de Souza afirma, em 1949, que “o mais significante progresso é o número crescente de publicações de negócios que têm republicado as histórias impressas na revista ou que usam informações contidas nela”. Uma reportagem especial mostra ao leitor com gráficos e depoimentos como é o trabalho de levar a informação até suas mãos.

O texto veio acompanhado de análises de leitores influentes. Entre elas, o testemunho do presidente da Federação das Associações Comerciais do Brasil, João Daudt de Oliveira: “Não poderia deixar de expressar a satisfação em ver como a Brazilian Business executa uma tarefa valiosa, contribuindo de forma eficiente para a promoção de melhores relações comerciais entre o Brasil e os Estados Unidos. E que, por isso, merece o prestígio amealhado no meio no qual circula”.

Dois outros editores contribuíram para dar à revista um perfil mais universalista e moderno. A americana Eileen Mackenzie, que editou a publicação a partir de 1949, e Bill Williamson, que assumiu o cargo em 1958. Ambos com larga experiência em redações. Ele, um professor de jornalismo das universidades de Iowa e Memphis, que chegou ao Brasil em 1956 como pesquisador e entrevistou os responsáveis pelas redações de mais de 150 jornais no País. Ela, que passou pela revista Time e por outras publicações especializadas em informação econômica.

Sob seus cuidados, a Brazilian Business atravessou a década de 1950 com um sucesso que se traduz nos números e resultados apresentados ano a ano. Um relatório das atividades da AmCham Rio em 1958 afirma que a publicação cresceu, chegando a um recorde de 72 páginas. Um aumento que possibilitou a contratação de dois repórteres no Rio de Janeiro.

A edição de janeiro de 1959 teve 200 exemplares distribuídos em linhas aéreas e marítimas internacionais. Mas, muito antes disso, em 1952, o conteúdo publicado pela revista já circulava mundo afora. Das 2 mil cópias impressas em março daquele ano, 609 foram para o Rio, 950 para São Paulo, 177 para outras cidades no Brasil, 242 para os Estados Unidos, e 48 para países como Dinamarca, Filipinas, Uruguai, Alemanha Ocidental, México, Cuba e Japão.

A revista crescia com o aumento do número de empresários americanos interessados em investir no País. Em discurso na AmCham de São Paulo, em março de 1959, o embaixador Ellis O. Briggs lembrou que só no Rio havia mais de 4 mil americanos e que em São Paulo já eram mais de 5 mil.

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