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Impactos da crise energética no setor industrial

22/09/2015 em Notícias
Conferência Brazil Energy and Power, em sua segunda edição no Rio, discute as perspectivas do mercado internacional de energia e os desafios para driblar a instabilidade
Maurício Tolmasquim, presidente da EPE, participa de debate na conferência Brazil Energy and Power
A crise internacional do setor de óleo e gás e as transformações na matriz energética nacional, com a redução da participação das fontes hidroelétricas e a crescente utilização das térmicas, estiveram em debate na 12ª conferência internacional Brazil Energy and Power, realizada na segunda-feira (21 de setembro) em Copacabana. O evento foi realizado pela Câmara de Comércio Americana do Rio de Janeiro (AmCham Rio); correalizado pelo Brazil-U.S. Business Council; patrocinado pela Chevron Brasil, Shell e Wärtsilä Brasil; e copatrocinado pela Westinghouse e Parnaíba Gás Natural.

Na abertura, João César Lima, sócio da PwC e 2º vice-presidente da AmCham Rio, convidou ao palco Cassia Carvalho, diretora-executiva do Brazil-U.S. Business Council, e Manuel Fernandes, sócio-líder para a área de Óleo e Gás da KPMG e presidente do Comitê de Energia da AmCham Rio. “Trabalhamos com a CNI, a AmCham Rio, o Ministério das Minas e Energia e a Brazil Industries Coalition (BIC), em Washington, para organizar um diálogo industrial de energia apontando maneiras de o setor privado apoiar as diretrizes do governo. A conferência deverá ocorrer nos próximos dias”, disse Cassia.


Em seguida, no primeiro painel “Energia e Política Industrial no Brasil”, moderado por Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), especialistas defenderam uma política energética do País que contemple as necessidades do setor industrial, que hoje sofre com o alto custo da energia e do gás. “Na área energética, os desafios são grandes. Na energia elétrica, após a MP 579, a instabilidade regulatória e a insegurança jurídica permanecem. Este ano, tivemos tarifaço, que, junto com a crise econômica, tem provocado uma queda no consumo. E a grande vítima continua sendo a indústria pois a questão da energia tem tirado competividade da indústria brasileira. E, além disso, o governo anunciou que vai licitar as concessões que estão vencendo com a expectativa de arrecadar R$ 17 bilhões. Mas quem vai pagar por isso?”, questionou Pires.

O debate teve a participação de Maurício Tolmasquim, presidente da Empresas de Pesquisas Energéticas (EPE), que apresentou dados da expansão da capacidade do sistema nos últimos dez anos. “O Brasil tem uma capacidade instalada de 140 mil MWs. Entre 2005 e hoje, em dez anos, se contratou o equivalente à metade de toda a capacidade instalada até hoje, sendo que 75% são de fontes renováveis, principalmente hidráulica com 45% e eólica com 18%. Também fomos pioneiros em usar o sistema de leilões, que é um modelo transparente de contratação de energia e vem sendo adotado por outros países como a Alemanha”, destacou Tolmasquim.

A grande preocupação agora, disse Tolmasquim, é com o que vai ocorrer após 2020. Ele estima que a diversificação da matriz deverá continuar. A participação da energia hidráulica caiu 10% nos últimos 10 anos e deverá cair mais 10% no próximo período. A fonte que vai preencher o espaço é a eólica que passará a 12% de participação, complementada pela solar que chegará a 3%. “Olhando para a frente teremos uma expansão hidroelétrica de 27 mil MWs, dos quais, 19 mil já estão em construção ou em vias de entrar em operação: Belo Monte, Jirau, Santo Antonio, Teles Pires, Sinop. Os demais 18 mil MWs são leilões que vamos fazer para entrar em operação nos próximos dez anos. Em termos de termelétrica teremos 10,5 mil MWs de expansão, dos quais 5,7 mil MW já estão em construção ou em operação. O mais interessante é que 50% da expansão planejada é de energias renováveis, eólica, solar, biomassa e PCH, o equivalente a 35 mil MWs. Nos próximos dez anos, vão entrar no sistema 72 mil MW, 7 mil MW/ano, dos quais 41 mil já foram contratados”, explicou Tolmasquim.

Paulo Pedrosa, presidente executivo da Associação Brasileira dos Grandes Consumidores Industriais de Energia e de Consumidores Livres (Abrace) abriu sua apresentação dizendo que o PIB industrial regrediu aos números dos anos 1940 e que os retornos do setor vêm sendo reduzidos em função do custo da energia. Para ele, a energia para a produção é relativamente mais cara quando considerada a que é cobrada da sociedade. “No Brasil há quase uma opção pela modicidade do pequeno consumidor contra a competitividade da indústria. Quase como se tivéssemos uma política anti-industrial energética”, resumiu.


José Eduardo Tanure, diretor de regulação e meio ambiente da Neoenergia, ressaltou que os investidores muitas vezes se deparam com riscos extraordinários que não puderam ser identificados no momento do BID. Ele defendeu que o País encontre uma forma de se obter um realismo econômico entre todos os agentes e que a relação risco/retorno seja reequilibrada.

"Na geração, temos desafios de meio ambiente com licenciamentos complexos e condicionantes pesadas e onerosas de mais de um órgão. Com o atraso na transmissão, a usina fica pronta, mas não consegue entregar a energia ao consumidor e tem de comprar energia cara no mercado. Na distribuição, a elevação tarifária gera aumento da inadimplência e das perdas com furto”, elencou Tanure.

Marcelo Prais, assessor da diretoria do Operador Nacional do Sistema (ONS), alertou que a diversificação da matriz energética nacional está trazendo desafios para a operação do sistema. Ele explicou que a predominância de usinas hidroelétricas a fio d´água gera uma perda de controle para o ONS sobretudo quando se agregam mais fontes de energia intermitente, como a eólica e a solar. Além disso, a crise econômica e o realismo tarifário estão provocando uma redução na demanda, que cai 3,5 Mw a cada três anos, o equivalente à capacidade de usinas do porte de Santo Antônio ou Jirau.

“Ainda que a expansão tenha sido exitosa, é necessário um debate construtivo pois os próximos leilões poderão ser aperfeiçoados. A nossa estimativa é de que em cinco anos haverá um esgotamento da capacidade de transmissão. E com o aumento da geração no Nordeste, não termos capacidade de escoar essa energia. É preciso ter geração térmica despachável, preferencialmente a gás natural”, defendeu Prais.


EFICIÊNCIA ENERGÉTICA

O segundo painel “Eficiência Energética e Inovação” apresentou as iniciativas de eficiência energética sob os pontos de vista dos fornecedores de equipamentos e serviços, como a Wärtsilä, e de uma distribuidora de energia, como a Light, que acumula perdas de 40% devido ao furto de energia. Também foram apresentados os programas de eficiência energética da Eletrobras, como o Procel Edifica, e os investimentos em inovação da GE.

"A nossa matriz está em transição para um sistema hidrotérmico ou renovável-térmico. As operações de usinas hidroelétricas a fio d´água vão tornar o sistema cada vez mais sensível à hidrologia, que tem de ser compensada com a energia despachável. Nesse sentido, o gás natural tem um papel fantástico para a sustentabilidade do sistema", disse Paulo Maurício de Albuquerque Senra, gerente de estratégia e sustentabilidade da Light.

Renata Leite Falcão, superintendente de eficiência energética da Eletrobras, informou que a empresa tem uma área específica de eficiência energética com três focos de atuação: corporativa – atuando junto às empresas do Sistema Eletrobras -, novos negócios e governo. O Procel é o principal programa de eficiência energética do governo federal executado há 30 anos. Em 2014, o programa permitiu uma economia de 10,5 TeraWatts/hora, o equivalente a 2,5% do consumo total.

“Em 30 anos, por meio do Procel, a Eletrobras conseguiu uma economia de 81 bilhões de kw/h para um investimento de R$ 2,4 bilhões. Os investimentos foram reduzidos a partir de 2012, mas o governo federal e a Eletrobrás estão buscando recursos para retomar esses investimentos. A energia economizada pelo Procel nesses 30 anos em relação ao investimento feito é de R$ 30 por Mw/hora. Não existe nenhuma fonte de energia mais barata do que isso”, afirmou.

Gustavo Bellot, gerente de projetos da GE Oil & Gás, ressaltou os investimentos feitos no centro de P&D no Brasil, inaugurado no ano passado no Parque Tecnológico da UFRJ, o primeiro abaixo da linha do equador e 60% voltado para o setor de óleo e gás. “Em julho, conquistamos a primeira patente para uma inovação de etanol de segunda geração. E já temos outras 12 patentes correndo para serem aprovadas. Infelizmente registramos as patentes nos EUA devido à morosidade do Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (Inpi), um processo de até dez anos”, lamentou Bellot.


Durante o Keynote Speech, James Story, cônsul-geral do Consulado Geral dos Estados Unidos no Rio de Janeiro se disse otimista com o Brasil pelas mesmas razões que há cinco anos fizeram do País um dos maiores mercados do mundo. Para ele, o pessimismo atual ignora as forças da economia brasileira.

Ele considerou extremamente positiva a visita da presidente Dilma Rousseff ao presidente Barack Obama para o estreitamento das relações bilaterais. “Eles também estabeleceram metas ambiciosas como dobrar o comércio bilateral nos próximos dez anos. Este desafio pode ser alcançado e o setor de energia terá grande parte nisso”, afirmou o cônsul-geral.

ENERGIA NUCLEAR

Na parte da tarde, o terceiro painel discutiu o papel atual da energia nuclear na matriz energética, com as apresentações de Otavio Mielnik, coordenador de projetos da FGV Projetos, que trouxe dados de um estudo com uma nova metodologia; e de Aquilino Senra, presidente da Indústrias Nucleares Brasileiras (INB), que abordou os avanços da capacidade industrial no segmento nuclear. O cenário da energia nuclear nos EUA e no Brasil foi debatido por Carlos Leipner, vice-presidente para a América Latina da Westinghouse, e por Leonam Guimarães, diretor de planejamento, gestão e meio ambiente da Eletrobras Eletronuclear.

Antonio Müller, presidente da Associação Brasileira para Desenvolvimento das Atividades Nucleares (ABDAN) e moderador do painel, destacou a importância do setor. "A tecnologia que mais salva vidas é a nuclear. O rejeito de uma usina nuclear é muito menor que um rejeito hospitalar. A bandeira da ABDAN é de que para entrar o capital privado ele tem de ser obrigatoriamente majoritário”, defendeu Müller.

Os especialistas disseram que o setor nuclear no Brasil conta com uma estrutura pequena, porém muito bem montada, mas, devido ao alto custo e ao longo tempo para a construção de uma usina nuclear, o setor só vai avançar com a participação majoritária da iniciativa privada. “A estrutura está adequada. Esses agentes estão interligados, mas suas políticas e ações precisam da figura de um integrador de todas essas ações”, defendeu Senra.

Carlos Leipner, vice-presidente para a América Latina da Westinghouse, fez um balanço da energia nuclear no mundo: “o setor tem se tornado atraente porque a energia nuclear é uma energia limpa e sustentável".

Leonam Guimarães, diretor de planejamento, gestão e meio ambiente da Eletrobras Eletronuclear, ressaltou que há um parque global envelhecido, que tem grande potencial para novos investimentos. “Nos últimos dez anos foram entregues 42 usinas a despeito de Chernobyl e Fukushima. O setor continua entregando usinas, mas não na velocidade que a renovação do parque exige”, alertou.

Pelo lado da oferta, Mielnik destacou que o crescimento de 3% ao ano nas décadas de 1970/1980/1990 é o mesmo do Plano Decenal de Energia 2014/2024, apesar da expansão dos investimentos em eólica e térmicas. "E como o predomínio na matriz é das fontes hidroelétricas, as demais são apenas complementares e não conseguem ganhar escala”, disse Mielnik.

ÓLEO E GÁS

O setor de óleo e gás dominou os painéis finais da conferência internacional com a apresentação das palestras de Waldyr Barroso, diretor da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), que fez um balanço da 13ª Rodada, e de Reeve Wolford, conselheiro sênior do Brazil-U.S. Business Council, que traçou o panorama do petróleo e gás nos EUA.

"Serão oferecidos na 13ª Rodada 266 blocos, sendo 182 em terra e 84 no mar. Foram 39 empresas, sendo que duas não foram habilitadas. Desse total, 15 são nacionais”, informou Barroso.

Wolford traçou o panorama do setor de óleo e gás nos EUA. O investimento direto do governo americano em P&D é pequeno, as leis ambientais são fortes, mas enxutas e o governo é remunerado por meio de impostos diretos. “Somente as três maiores empresas pagarão ao governo US$ 181 bilhões, o que prova que este é um modelo eficaz”, ressaltou.

Fechando o evento, o último painel discutiu o panorama do setor de petróleo e gás no Brasil e no mundo com as participações de Henrique Rzezinski, vice-presidente de relações institucionais da Parnaíba Gás Natural, Américo Oliveira, gerente geral da McDermott Braisl, e Marcelo Vertis, subsecretário de energia, logística e desenvolvimento industrial do Estado do Rio.

Steven Bipes, diretor executivo da AmCham Rio, fez o encerramento, com o agradecimento a todos os participantes.

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