Fale conosco - Downloads - Notícias
Home
Notícia
<< Voltar

“O comércio de mão dupla entre os EUA e o Brasil tem atingido níveis históricos”

31/08/2015 em Notícias
Embaixadora dos Estados Unidos no Brasil, Liliana Ayalde analisa a relação bilateral em entrevista exclusiva para a Brazilian Business
Liliana Ayalde discursa durante a cerimônia de posse da AmCham Rio em abril de 2015
O último encontro dos presidentes Dilma Rousseff e Barack Obama, realizado no fim de junho, nos Estados Unidos, teve o objetivo de reaquecer as relações comerciais bilaterais. Na ocasião, em pronunciamento conjunto, os chefes de Estado firmaram uma série de acordos de cooperação e compromissos bilaterais. O País entrará no programa Global Entry, que facilitará o acesso de brasileiros aos EUA. Porém, ainda há um caminho institucional a ser percorrido para que essa e outras iniciativas passem a vigorar.

Embaixadora dos EUA no Brasil, Liliana Ayalde é uma das protagonistas do processo de facilitação das relações bilaterais. Além de ter participado do encontro entre os presidentes, em Washington, ela acompanha os próximos passos que ainda precisam ser dados pelos dois maiores países do continente. Leia, abaixo, a íntegra da entrevista sobre os desdobramentos da visita de Dilma a Obama, concedida com exclusividade à Brazilian Business.




Brazilian Business: Após a visita da presidente Dilma Rousseff aos Estados Unidos, em junho, quais seriam as prioridades das duas nações para intensificar as relações bilaterais?

Liliana Ayalde: A visita superou todas as expectativas e reafirmou a importância da cooperação EUA-Brasil em questões bilaterais, assim como em questões regionais e globais. Nossos dois presidentes anunciaram uma série de medidas voltadas para a expansão do comércio e dos investimentos, que criarão empregos para brasileiros e americanos, além de aumentar a competitividade e a diversidade das duas economias.

BB: Quais são as principais áreas de interesse para o investimento bilateral?

LA: O presidente Obama e a presidente Dilma se comprometeram a trabalhar com membros do Fórum de CEOs e com a comunidade empresarial de modo geral para avaliar e atender as recomendações conjuntas nas seguintes áreas: energia, tributação, comércio e investimento, aviação, educação e inovação, infraestrutura, e assistência à saúde. Os encontros da presidente Dilma em Nova York com líderes do setor privado americano também enfatizaram diversas oportunidades de investimento nos programas brasileiros de modernização da infraestrutura.

BB: Há potencial na área de defesa?

LA: A cooperação em defesa é uma prioridade importante para ambos os países. Nossos militares têm uma longa e positiva história. Mediante a ratificação do Acordo de Cooperação em Defesa (DCA) e do Acordo Sobre Segurança de Informações Militares (Gsomia) pelo congresso brasileiro, estaremos em posição de levar nossas relações bilaterais na área de defesa para um patamar mais alto. Esse dois acordos facilitarão o compartilhamento de determinados tipos de informação, recursos mais sofisticados, tecnologias e hardware, além de permitir mais intercâmbios e exercícios de treinamento conjuntos, o que leva à maior interoperabilidade. Esperamos ansiosos pela próxima reunião do Grupo de Trabalho Bilateral e de outros mecanismos bilaterais ainda este ano para desenvolver um plano claro para o nosso engajamento e aguardamos também a abertura do Diálogo do Setor de Defesa, que vai institucionalizar o engajamento entre os setores privados americano e brasileiro.

BB: Houve avanços no setor de saúde?

LA: A cooperação em saúde é outra área importante na qual nossa colaboração e nossos projetos de pesquisa conjuntos podem beneficiar os dois povos. O Memorando de Entendimento, assinado entre o Departamento de Saúde e Serviço Social dos EUA e o Ministério da Saúde do Brasil, promove inovação em pesquisa, capacitação e atividades colaborativas em uma ampla gama de áreas prioritárias. Nos últimos cinco meses eu participei de dois eventos voltados para o avanço da cooperação entre o Brasil e os EUA no setor da saúde. Visitei também o MD Anderson Cancer Center, parceria entre o Hospital Israelita Albert Einstein, de São Paulo, e o MD Anderson Cancer Center dos EUA. Essas iniciativas são apenas alguns exemplos de um setor que está pronto para expansão e maior cooperação.


BB: Quais são as projeções de investimento para o setor de petróleo e gás?

LA: Nosso relacionamento com o Brasil no setor de energia é extenso e produtivo. O presidente Obama e a presidente Dilma endossaram a cooperação nas seguintes áreas prioritárias: petróleo e gás natural, biocombustível, energia renovável, eficiência energética, energia nuclear civil e ciência relacionada com energia. A terceira reunião do Diálogo Estratégico Sobre Energia, nos dias 8 e 9 de outubro de 2015, em Washington, D.C., promoverá oportunidades para aprofundar a nossa cooperação nessas áreas e discutirá as recomendações do Fórum de CEOs sobre energia que poderão ser discutidas pelos nossos governos.

As empresas americanas investem, há muito tempo, no setor de energia brasileiro. Em janeiro deste ano, a Boeing e a Embraer abriram um centro de pesquisa conjunto sobre biocombustíveis em São José dos Campos. Várias empresas americanas, como a Chevron e a ExxonMobil, que já estão instaladas no País há mais de cem anos, estão participando de projetos de exploração de petróleo no Brasil. Empresas de prestação de serviços para o setor de petróleo, como Halliburton, FMC e GE estabeleceram aqui operações importantes, inclusive fábricas, laboratórios de pesquisa e centros de serviços. Somente no ano passado, por exemplo, a GE abriu um laboratório de pesquisa e desenvolvimento global no Rio de Janeiro no valor de US$ 500 milhões, que fará estudos relacionados à energia. Nossas empresas de energia têm investido em longo prazo no Brasil e estão ansiosas para estudar novas oportunidades de investimentos, assim que o governo brasileiro anunciar os planos futuros para o pré-sal e os projetos de energia renovável.

BB: Brasil e EUA anunciaram novas metas sobre o clima. Como essas mudanças afetarão o setor energético?

LA: Como o presidente Obama declarou durante a visita da presidente Dilma, os dois países continuarão a liderar a luta contra as mudanças climáticas. Desde 2005, ambos os países reduziram as emissões de CO2 mais que qualquer outro do mundo. Eles anunciaram metas ambiciosas de energia limpa, além da energia hidrelétrica, prometendo aumentar a parcela de eletricidade gerada por energia renovável em 20% até 2030. Uma das metas inclui um programa piloto de mecanismos financeiros inovadores no Brasil para mobilizar novos investimentos em energia renovável, eficiência energética e esforços de resiliência. Somos os dois maiores produtores de biocombustíveis do mundo. O nosso trabalho em conjunto na área de pesquisa, produção e promoção de alternativas renováveis para combustíveis fósseis não só irá ajudar com a mudança climática como criará oportunidades de investimento e empregos mais bem remunerados para ambos os países.


BB: Como o Plano Nacional de Exportação afetará as relações comerciais entre os dois países?

LA: O comércio de mão dupla entre os EUA e o Brasil tem atingido níveis históricos nos últimos quatro anos. Também são altos os investimentos nas duas direções, com os EUA sendo a fonte número um de investimento direto para o Brasil. O Plano Nacional de Exportação do País pode ser um instrumento para criar vínculos ainda mais estreitos entre empresas brasileiras e suas congêneres americanas.

BB: Um dos tópicos defendidos pela Câmara de Comércio Americana do Rio de Janeiro (AmCham Rio) é a conclusão do Tratado Bilateral Sobre Tributos. Como estão as negociações?

LA: Por algum tempo, as empresas americanas têm demonstrado interesse em um acordo como esse, e sabemos que as empresas brasileiras, que investem mais nos EUA, também estão interessadas. A conclusão da Lei de Conformidade Fiscal de Contas Estrangeiras (Fatca), aprovada pelo congresso brasileiro em 25 de junho, foi um grande passo para avançar a cooperação entre nossas autoridades fiscais. Temos mecanismos para engajamento contínuo, inclusive o Fórum de CEOs e o Diálogo Econômico e Financeiro entre o Departamento do Tesouro dos EUA e o Ministério da Fazenda do Brasil, que usaremos para continuar nossas discussões sobre questões tributárias bilaterais.

BB: Dilma e Obama anunciaram a inclusão do Brasil no programa Global Entry, que é uma das demandas da AmCham Rio. Agora, quais serão os próximos passos?

LA: O governo americano está empenhado em facilitar viagens de negócios, turismo e intercâmbios educacionais. Iniciamos discussões com especialistas técnicos brasileiros sobre as medidas necessárias para que o Brasil se torne um país parceiro no programa Global Entry, programa da Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP) dos EUA que permite a liberação mais rápida na chegada aos EUA de viajantes de baixo risco, pré-aprovados, com vistos válidos. Representantes do DHS/CBP se reuniram com autoridades do governo brasileiro em meados de junho em Brasília. Estamos satisfeitos com a forte colaboração e o ímpeto da recente reunião e aguardamos com expectativa que os dois lados se encontrem novamente em setembro.

BB: Estamos no caminho para o fim dos vistos?

LA: Com relação ao Visa Waiver Program, nosso grupo de trabalho conjunto sobre questões consulares continua a manter contatos cada vez mais intensos para tratar das exigências legais que devem ser cumpridas para permitir viagens recíprocas sem visto nos termos do programa. Para ser incluídos no Visa Waiver Program, os países precisam cumprir todas as exigências legais dos EUA.

BB: Quais são as barreiras enfrentadas pelos dois países para melhorar as relações bilaterais?

LA: Estamos muito entusiasmados com o alto nível de engajamento existente, que está abrindo novos caminhos de cooperação em um leque de questões bilaterais, regionais e globais. Vários dos nossos diálogos bilaterais já se reuniram este ano, entre eles o Diálogo Comercial, o Comitê Consultivo Agrícola, a Reunião do Comitê Conjunto Sobre Ciência e Tecnologia e o Diálogo Econômico e Financeiro. Mais diálogos estão sendo planejados para este ano, inclusive o Diálogo Estratégico Sobre Energia e os grupos de trabalho sobre internet, ICT e direitos humanos. Estamos trabalhando de forma construtiva nos níveis mais altos.

BB: Como o setor privado brasileiro pode contribuir para aumentar as relações comerciais bilaterais?

LA: Fóruns como a Câmara de Comércio Americana no Rio de Janeiro são recursos inestimáveis para informar os formuladores de políticas sobre questões que precisam ser resolvidas para melhorar nossos respectivos processos e ambientes regulatórios, a fim de garantir que os dois países sejam o mais amigáveis possível. Eu incentivaria o setor privado brasileiro a continuar participando desses fóruns e a defender as mudanças necessárias em políticas e regulamentações, bem como a solução de outros obstáculos, o que ajudará a promover nosso comércio bilateral e a tornar mais eficiente o processo de importação e exportação.

Nós realmente ouvimos os setores privados dos dois países para orientar o trabalho na melhoria dos laços comerciais. Não foi por acaso que o Fórum de CEOs se reuniu duas semanas antes do encontro entre os presidentes. Os dois lados queriam que o setor privado fizesse recomendações sobre as medidas necessárias para aumentar ainda mais o comércio e os investimentos bilaterais.

BB: Como a senhora vê o atual patamar das relações bilaterais?
LA: Como disse o presidente Obama, a visita oficial da presidente Dilma Rousseff a Washington “marca mais um passo em um novo e mais ambicioso capítulo das relações entre os nossos países”. “Nosso foco está no futuro.” Faço minhas as palavras do presidente Obama. Estamos comprometidos em trabalhar, com nossos parceiros brasileiros e com o setor privado, para alcançar as metas definidas pelo presidente Obama e a presidente Dilma de levar as nossas relações bilaterais para um novo patamar – um patamar que vai preparar as nossas empresas, as nossas organizações e os nossos jovens para melhor competir no mundo.
Agenda

mantenedores

OURO

PRATA

  • Praça Pio X, 15 / 5º andar – Centro
    CEP: 20040-020 – Rio de Janeiro/RJ
  • + 55 (21) 3213-9200
    Fax: 55 (21) 3213-9201
  • amchamrio@amchamrio.com
Redes AmChamRio
  • COPYRIGHT © 2012.