Fale conosco - Downloads - Notícias
Home
Notícia
<< Voltar

Qualificação como ferramenta de inclusão

25/08/2015 em Notícias
Assessora especial do Departamento de Estado dos EUA participa de mesa redonda sobre os desafios de pessoas com deficiência no mercado de trabalho
Judith Heumann (centro) entre os palestrantes e organizadores do evento
O desemprego entre pessoas com deficiência é duas vezes maior do que na média da população, informou Judith Heumann, assessora especial para direitos dos deficientes do Departamento de Estado dos EUA. De acordo com ela, a capacitação e o treinamento de gerências são fatores fundamentais para a inclusão.

“Ainda ouvimos ao redor do mundo que os líderes têm resistência para contratar pessoas com deficiência”, disse Judith durante a mesa redonda “Projetos, desafios e conquistas para inclusão no mercado de trabalho de pessoas com deficiência - as ações nos EUA e no Brasil” realizado pela Câmara de Comércio Americana do Rio (AmCham Rio) e pelo Consulado Geral dos EUA no Rio, na última sexta-feira (14 de agosto), no auditório da EY, em Botafogo.

Diagnosticada com poliomielite ainda na infância, Judith enfrentou o preconceito no início da sua carreira. “Quando me formei, tentei tirar a licença de professora em Nova York. Mesmo preenchendo todos os requisitos, como diploma universitário e inglês fluente, e passando por todas as etapas de classificação, meu pedido foi negado. A justificativa da banca era a minha deficiência”, relembrou Judith, explicando que teve que levar o caso a Corte Americana para enfim conseguir a permissão para lecionar.

No Brasil, também há barreiras a serem superadas, mesmo com o Estatuto da Pessoa com Deficiência e a Lei de Cotas de 1991 – que garante que toda empresa com cem ou mais funcionários deve destinar de 2% a 5% dos postos de trabalho a pessoas com deficiência. No entanto, para preencher essas vagas, é necessário ter uma qualificação que, muitas vezes, não é oferecida adequadamente pelo atual sistema educacional do Brasil, reconheceu Marco Antônio Castilho, superintendente de políticas para pessoa com deficiência da Secretaria Estadual de Assistência Social e Direitos Humanos. “Se pensamos em qualificação e preparação da pessoa com deficiência para o mercado de trabalho, somos obrigados a discutir o sistema educacional brasileiro, que, via de regra, não traz na sua grade curricular a formação profissional. Temos que dialogar com os empresários e a sociedade de que há uma necessidade de mudança nas atitudes, para enfim enxergar uma pessoa com deficiência com capaz de desenvolver atividades laborais”, disse Castilho.

Há empresas brasileiras que já estão preenchendo essa lacuna, elogiou Judith: “Muitas empresas que me encontrei aqui no Brasil já estão fazendo treinamento de gerencia para incluir pessoas com deficiência nos postos de trabalho”. Porém, uma nova cultura mais inclusiva ainda precisa se tornar mais robusta, ponderou Castilho: “não temos a preocupação de que podemos nos tornar pessoas com deficiência a qualquer momento. Se nos colocarmos nesta perspectiva, talvez a gente consiga ter um olhar diferenciado das dificuldades que eles passam”.

A campanha “Não sou cadeirante. Mas e se eu fosse?”, do Comitê Rio 2016 com seus colaboradores, fez com que pessoas sem deficiência testassem as dificuldades de locomoção no trabalho e na cidade enfrentadas por quem tem deficiência. “Tivemos 160 participantes e atingimos 80 áreas funcionais da organização, ou seja, 80% do comitê. A recepção foi muito positiva. As pessoas não sabem a dificuldade que é fazer atividades julgadas simples, como entrar no elevador, por exemplo”, disse Augusto Fernandes, coordenador de acessibilidade do Comitê Rio 2016.

No mundo corporativo, a EY é referência mundial e responsável pelo programa “EY Able”, voltado para o desenvolvimento profissional de pessoas com deficiência. Carla Bezerra, gerente de RH da empresa, afirmou que a iniciativa tem sido uma plataforma eficaz de inclusão: “Nós fomos reconhecidos entre as dez melhores empresas para trabalhadores com deficiência no Brasil”.

Moderadora do debate e presidente do Comitê de Responsabilidade Social Empresarial da AmCham Rio, Silvina Ramal também defendeu a mobilização das empresas e de especialistas: “estamos muito atentos a estas questões de acessibilidade e inclusão, ouvindo as ONGs que trabalham diretamente com pessoas com deficiência e organizando eventos e debates sobre estas questões”, afirmou Silvina.
Agenda

mantenedores

OURO

PRATA

  • Praça Pio X, 15 / 5º andar – Centro
    CEP: 20040-020 – Rio de Janeiro/RJ
  • + 55 (21) 3213-9200
    Fax: 55 (21) 3213-9201
  • amchamrio@amchamrio.com
Redes AmChamRio
  • COPYRIGHT © 2012.