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O valor da reaproximação entre Brasil e EUA

18/06/2015 em BRAZILIAN BUSINESS
Perspectiva é de abertura nos setores de infraestrutura, agronegócio e serviços
O incremento das relações entre Brasil e Estados Unidos, formalizada na visita de governo da presidente Dilma Rousseff à Casa Branca, no fim de junho, deverá estabelecer um cenário mais otimista para o fluxo de investimentos entre ambos os países. Segundo especialistas, no entanto, ganhos comerciais significativos não devem ser esperados a curto prazo.

Desde setembro de 2013, quando as relações entre os países foram abaladas por acusações de espionagem praticadas pela Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos – NSA, tratados de interesse mútuo como a facilitação do comércio de armas e de infraestrutura ficaram estagnados. Dilma cancelou a visita de Estado que faria e congelou tratativas diretas com o presidente Barack Obama, condicionando uma nova viagem aos EUA a demonstrações de transparência na relação entre ambos.

Agora, com a recuperação econômica no centro da agenda das duas nações, uma série de sinalizações tem sido orquestrada pelos EUA para que não só sejam retomados projetos cujas conversas se iniciaram há muito tempo, como também sejam estabelecidos novos marcos em nível diplomático.

O interesse brasileiro nessa reaproximação faz parte, também, de um esforço para ampliar os investimentos estrangeiros numa economia cronicamente estagnada. O comércio bilateral entre os países superou, em 2014, os US$ 108 bilhões. O volume de investimentos dos EUA no Brasil chega a US$ 116 bilhões (em stock), em ritmo crescente.

No topo da lista de prioridades do governo brasileiro, está a busca por inovações tecnológicas no setor de serviços, como o de administração hospitalar e de gestão educacional. As community colleges, por exemplo, estão no centro das conversas de Dilma com Obama, com impacto direto no setor produtivo: o governo busca novas soluções para profissionalização e aperfeiçoamento do mercado de trabalho por meio de um modelo híbrido de escola técnica e universidade. Outra prioridade é o cumprimento de metas para redução de emissões de carbono.

Apesar da visita de Dilma aos EUA coroar o esforço para aprofundar as relações comerciais entre ambos os países, tradicionais gargalos ainda devem ficar em segundo plano. De acordo com especialistas, há o objetivo de novos avanços, mas as conversas foram retomadas ao mesmo patamar de 2013.

Reivindicações na área de infraestrutura, além do fim da bitributação e a liberalização e isenção de vistos aos brasileiros são decisões que serão tomadas a médio prazo. Um tratado de livre comércio entre ambas as nações permanece em uma agenda comum, mas não há perspectiva de avanços significativos.

Desse modo, a chancelaria brasileira se concentra em mercados pontuais para absorver a demanda do mercado americano. Busca, por exemplo, estimular a entrada de carne in natura no mercado americano, entusiasmada pelo fim do embargo chinês ao produto brasileiro. Também trabalha pela liberalização de regras de tráfego no espaço aéreo dos dois países – um tratado de céus abertos. Com a crise hídrica no Sudeste, o desenvolvimento de tecnologias de uso racional de energia e água, sobretudo por conta da seca na Califórnia, tornou-se outro foco das negociações.

O Planalto também pretende cativar americanos para preencher lacunas tradicionalmente ocupadas por capital europeu e asiático. O plano de infraestrutura do governo, que não é tradicionalmente cobiçado pelos Estados Unidos, deverá ser vendido com especial dedicação pela chancelaria brasileira nos próximos meses.


Os Estados Unidos aparecem, hoje, como o maior mercado receptor de investimento no exterior, mas, no Brasil, os aportes americanos estão concentrados em gigantes como Petrobras, Vale e construtoras. No sentido contrário, há mais de 40 multinacionais brasileiras atuando em solo americano, como JBS e Embraer.

O Brasil, no entanto, tem um déficit comercial com os Estados Unidos de US$ 7,9 bilhões. Com a retomada do crescimento americano, o Palácio do Planalto vê oportunidade para compensar internamente, por exemplo, o declínio de exportação de manufaturados para a Argentina.

Para Rafael Motta, presidente da Câmara de Comércio Americana do Rio de Janeiro (AmCham Rio), o mercado americano é um dos poucos que mostram sinais de recuperação em um momento em que as economias nacional e mundial desaceleram. “O Brasil é um país que precisa intensificar a integração às cadeias produtivas globais. Estimular a presença de nossas empresas no mercado americano pode contribuir positivamente para a elevação da arrecadação, para a melhoria do balanço de pagamentos e para o fortalecimento da cadeia de produção do mercado local”, afirma Motta.

O gerente executivo de Comércio Exterior da Confederação Nacional da Indústria – CNI, Diego Bonomo, diz estar otimista com as perspectivas dos dois países, independentemente do que os governos decidam. Mesmo sem a isenção de vistos para brasileiros, o fim da bitributação e o acordo de livre comércio, ele afirma que o panorama é promissor.

“Brasil e Estados Unidos têm muita afinidade. Entre as grandes demandas, ter um acordo de livre comércio, de dupla tributação e o fim dos vistos de negócios e turismo seria o cenário ideal. São três grandes acordos que dependem exclusivamente dos governos. E eles têm um interesse, é claro, mas, mesmo assim, é muito modesto. Esses acordos que estão sendo costurados estão aquém do que queremos”, afirma Bonomo.

Caso as conversas não avancem significativamente, diz Bonomo, o risco é fragilizar conquistas adquiridas na última década. "Nos últimos dez anos, criamos juntos centros de pesquisa e desenvolvimento, como o da GE e o da Boeing. Essa é a etapa de maior valor agregado de investimento e que deve ser estimulada como prioridade. Já existe um histórico muito sólido, que deve ser retomado”, pontua.

O vice-presidente executivo e diretor para Assuntos Internacionais da U.S. Chamber of Commerce, Myron Brilliant, diz que o mundo e as relações comerciais estão mudando e que as relações entre Brasil e Estados Unidos chegaram a um momento decisivo. Em artigo divulgado pela entidade, afirma que “estamos numa era de pactos comerciais transoceânicos megarregionais, que englobam, de uma só vez, a maioria das economias mundiais”.

O indicativo, segundo ele, é que o Brasil atue como mediador, para que, posteriormente, também inclua os integrantes do Mercosul em parcerias continentais e de monta.

Nesse contexto, o governo Obama enviou, em maio passado, a secretária de comércio dos Estados Unidos, Penny Pritzker, para uma série de reuniões no Brasil. Ela afirmou, em comunicado divulgado pelo Departamento de Comércio dos Estados Unidos, que a região tem gravitado em direção a uma visão de futuro democrática pró-mercado e pró-investimento.

Segundo ela, este é o momento certo para que os Estados Unidos voltem a se engajar em parcerias mais efetivas com a segunda maior economia do continente. “Minha visita ao Brasil é um símbolo do compromisso do governo Obama em assegurar que nossa parceria econômica e comercial permanece no centro de nossa relação bilateral”, disse.

(Tai Nalon)

Saiba mais:
Ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Armando Monteiro, costura acordo para facilitar comércio entre Brasil e Estados Unidos
http://amchamrio.com/site-noticia?noticiaSite.id=754

Leia a íntegra da BB 292 (PDF):
http://amchamrio.com/srcreleases/BB292.pdf

Revista Brazilian Business:
http://www.amchamrio.com.br/site-perfil
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