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Os Jogos Olímpicos e a cultura do improviso

25/05/2015 em Opinião
Jerônimo de Moraes, presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Rio de Janeiro*
Jerônimo de Moraes, presidente do CAU:
O clima de apreensão antes da Copa do Mundo de 2014, quando se duvidava da capacidade do País de sediar um evento daquele porte, dissipou-se quando os turistas estrangeiros voltaram para casa com uma impressão positiva do evento, encantados com a famosa simpatia do nosso povo. E nós, brasileiros, ficamos com a sensação de que, no fim das contas, tudo deu certo.

Essa cultura do improviso está refletida em nossas cidades. A falta de planejamento tem resultados graves, como as atuais crises hídrica e energética. Esse problema não está ligado a uma gestão governamental em particular. A fragilidade dos investimentos em transportes de alto rendimento no Rio se arrasta há, pelo menos, 50 anos e extrapola os limites do município.

Os holofotes agora se voltam para a cidade do Rio de Janeiro, que sediará os Jogos Olímpicos. Nos preparativos para esse evento, o padrão se repete. O cenário ideal seria a integração da capital com a região metropolitana, que só agora começa a ganhar forma, com a aprovação do Estatuto da Metrópole.

Enquanto são feitos grandes investimentos em BRTs (transporte rápido por ônibus), projetos de expansão de linhas de metrô correm o risco de nem se concretizarem, como a Linha 3, que atenderia Niterói, São Gonçalo e Itaboraí. Mesmo com os benefícios trazidos para a população pelos BRTs, como mais agilidade nos trajetos, observa-se que a implantação desse modal não está inserida em um projeto maior, formulado após debate com a sociedade.

O planejamento, essencial na arquitetura e no urbanismo, é vital, ainda, para a redução de custos. A licitação de obras por projeto básico, em detrimento do projeto executivo, não possibilita uma visão real do que será, de fato, necessário na execução da obra, gerando aumento de gastos com situações não previstas. A cerca de um ano dos jogos, a maior parte dos projetos não tem valores e prazos de conclusão precisos e a previsão do orçamento é constantemente revisada.

Em relação à revitalização da zona portuária, que dará nova cara à cidade, devolvendo aos cariocas a visão do mar, percebe-se um descolamento do restante do projeto olímpico, concentrado na maior parte na Barra da Tijuca. Uma das poucas atividades previstas inicialmente para o Porto Maravilha, que era abrigar o centro de imprensa, mostrou-se inviável, evidenciando a falta de mobilidade para o deslocamento entre as duas regiões.

A realização de competições na Barra da Tijuca, área com crônicos problemas de mobilidade, não se mostra uma decisão tão acertada. Considerando a parcela da população que se desloca diariamente para o Centro, seria mais vantajoso que os equipamentos olímpicos ficassem na zona portuária, com investimentos maciços nas redes ferroviária e metroviária.

Fica no ar a dúvida se, após a conclusão das obras do porto, a região conseguirá atrair novos moradores e não apenas edifícios corporativos. A cultura urbana pressupõe cidades de usos mistos. Um bairro ideal deve oferecer aos moradores opções de lazer, serviços, comércio, cultura e habitação. Vale lembrar que o centro do Rio, hoje deserto aos fins de semana, concentrou, nos anos 1930, espaços de lazer, como a Cinelândia.

Para além das intervenções pontuais, devemos esperar que os Jogos Olímpicos sejam o ponto de partida para uma cidade planejada, que leva em conta a opinião dos habitantes e atenda suas necessidades. Tornando-se um lugar melhor para se viver e investir, o Rio de Janeiro atrairá recursos não atrelados somente a eventos passageiros.

* Os artigos assinados são de total responsabilidade de seus autores, não representando necessariamente a opinião dos editores e da Câmara de Comércio Americana do Rio de Janeiro.

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