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O desafio é manter a atratividade da indústria de petróleo e gás no Brasil

25/05/2015 em Brazilian Business
Por Manuel Fernandes_ sócio-líder da área de Óleo e Gás da KPMG no Brasil e presidente do Comitê de Energia da AmCham Rio *
O setor de óleo e gás brasileiro atraiu altíssimo interesse no mercado doméstico e internacional com a realização do leilão de novas áreas e do campo de Libra, em 2013. Foi criado um cenário promissor de bons negócios, mudando as expectativas dos patamares de exploração e produção no País, e abrindo amplas oportunidades para as empresas do segmento, mesmo sem um calendário mais previsível para realização de novos leilões – que permitiria um melhor planejamento financeiro.

O cenário atual no Brasil e no resto do mundo passa por uma nova realidade. O nível de incertezas sobre os preços esperados para o barril de petróleo, em queda livre de praticamente 50% desde meados de 2014, é muito grande. As previsões entre analistas variam de US$ 20, o barril, até US$ 200. A estimativa mais otimista é da Organização de Países Exportadores de Petróleo (Opep), por conta de possíveis cortes de produção e falta de investimentos em exploração e produção. Um indicador da queda de atividade global, segundo sites especializados, é a retirada de operação de, aproximadamente, 43% das plataformas de perfuração desde o pico em 2014, o que poderia indicar um potencial aumento dos preços.

Por outro lado, a capacidade de armazenamento de petróleo está em níveis baixos, o que pode causar queda dos preços pela necessidade de escoar os estoques. Adicionalmente, não se pode precisar como o contínuo aumento da oferta ocasionado pelo crescimento da produção de petróleo nos Estados Unidos afetará o mercado. Em fevereiro, eram 9,3 milhões de barris/dia.
Há, ainda, incertezas do lado da demanda. Países como China, Rússia e Brasil mostram redução do ritmo da atividade econômica. Passando a comprar menos, pressionam ainda mais os preços.
Esse cenário, aliado às incertezas quanto a capacidade financeira de execução dos projetos pela Petrobras, afeta de forma relevante a indústria petrolífera no Brasil. A estatal, responsável por cerca de 90% da produção nacional, concentra grande parte da demanda de bens e serviços, e as dificuldades atuais pelas quais passa afetam toda a cadeia, incluindo as operadoras parceiras, que dependem da sua execução.

É preciso rever o modelo atual de operador único no pré-sal. Ele obriga a Petrobras a participar com, no mínimo, 30% dos investimentos. Mais flexibilidade permitirá que a companhia possa se concentrar nos projetos de grande desafio, como as áreas da cessão onerosa e o campo de Libra, por exemplo.

A retração no mercado impacta a cadeia de fornecedores, formada por cerca de 20 mil empresas que atuam direta e indiretamente na área. O mote do setor é buscar sinergias para minimizar o impacto no fluxo de caixa.

O risco iminente de potencial perda do nível de investimento pelo Brasil é outro fator que pode afetar as previsões futuras, já que aumentará a dificuldade de captações financeiras, provocando a fuga de investidores em busca de portos mais estáveis e retornos mais previsíveis. O natural aumento dos custos dos recursos financeiros motivará ainda mais a desmobilização e venda de ativos como fonte alternativa de captar recursos.

Apesar de o cenário pouco otimista, o Brasil apresenta aspectos que ainda o mantêm na mira dos investidores da área de óleo e gás, uma das principais indústrias brasileiras: bom nível de reservas, regras transparentes e respeito aos contratos. É hora de rever as estratégias, resgatar a confiança de todos os agentes do setor de petróleo e gás e atrair novos investimentos, mantendo o País como um destino estratégico no cenário mundial.


* Os artigos assinados são de total responsabilidade de seus autores, não representando necessariamente a opinião dos editores e da Câmara de Comércio Americana do Rio de Janeiro.

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