Fale conosco - Downloads - Notícias
Home
Notícia
<< Voltar

O enigma carioca para além de 2016

25/05/2015 em BRAZILIAN BUSINESS
Fim da temporada de grandes eventos, crise no petróleo e problemas nas UPPs afetam ambiente de negócios, alertam especialistas
Setor de óleo e gás, importante para economia do Rio, enfrenta crise. Foto Vinicius Basaglia/Freeimages
Parece que o Rio de Janeiro se acostumou aos bilhões. Basta avaliar, por exemplo, investimentos anunciados para a Olimpíada (cuja organização está estimada em R$ 37,7 bilhões), exploração do pré-sal (cerca de US$ 80 bilhões apenas no campo de Libra) ou para aquisição de equipamentos de segurança (o orçamento de 2015 da Secretaria Estadual de Segurança está na casa dos R$ 10 bilhões). Juntos, esses grandes investimentos realizados em infraestrutura, petróleo e segurança pública funcionam como indutores de negócios. Porém, esse tripé começa a apresentar sinais de desgaste.

Dados do Ministério do Trabalho são preocupantes. Entre dezembro de 2014 e janeiro de 2015, o Brasil perdeu 81.774 empregos com carteira assinada. Praticamente metade dessas demissões (40.658) ocorreu no Rio de Janeiro. Grande parte desse impacto está associada à crise internacional do setor de óleo e gás e aos problemas domésticos enfrentados pela Petrobras.

As maiores obras de infraestrutura, que geram muitos postos de trabalho, têm a execução atrelada aos grandes eventos. Com o fim da Olimpíada, ainda não foi anunciada uma agenda pós-2016. E, por fim, a grande estrela da política pública de segurança, as Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), enfrenta questionamentos severos.

Mesmo antes dos jogos de 2016 começarem, já há lamentações oficiais quanto às oportunidades perdidas. No dia 23 de março – quando faltavam 500 dias para a Olimpíada –, o prefeito Eduardo Paes afirmou que a Baía de Guanabara não será despoluída, uma atribuição do Governo do Estado: “É uma pena, uma oportunidade perdida. Embora as competições ocorram próximas à boca da baía, onde o controle é mais fácil, o serviço não será completo”, disse Paes.

Apesar das críticas, o prefeito ainda defende com unhas e dentes o legado que a competição deixará para a cidade. De acordo com ele, o benefício local será maior do que as melhorias em Barcelona, consideradas um caso de sucesso de realização. De acordo com Paes, R$ 24 bilhões estão sendo investidos em obras que vão melhorar a qualidade de vida do carioca, como a implementação dos corredores expressos de ônibus e a revitalização da região portuária. “No entanto, é preciso pensar em uma agenda pós-Jogos Olímpicos, com outros desafios pela frente. E esse planejamento deve incluir, necessariamente, a participação do setor privado. Cabe ao poder público continuar criando incentivos – seja por meio de concessões, da atração de novos negócios ou da retirada de entraves – para que a presença de empresas nacionais e estrangeiras na economia carioca seja cada vez maior”, afirmou Paes à revista Brazilian Business.

O presidente da Rio Negócios, Marcelo Haddad, afirma que nenhuma cidade passará por tantas transformações após a Olimpíada como o Rio de Janeiro. Ele cita investimentos em segurança, mobilidade e infraestrutura como os principais legados. Um dos setores beneficiados, de acordo com Haddad, será o da Indústria Criativa e de Telecomunicações. “A cidade vem preparando a infraestrutura lógica para atender as gigantescas demandas de conectividade dos Jogos Olímpicos de 2016, como a instalação de um backbone de mais de 10 mil quilômetros de fibra óptica de alta velocidade. Iniciativas como essas têm um grande efeito para o desenvolvimento e a atratividade de negócios em tecnologia.”

A estratégia da agência de negócios é aproveitar ao máximo a janela de oportunidade proporcionada por grandes eventos e promover a cidade. “Agora, com o aniversário de 450 anos da cidade e os Jogos Olímpicos de 2016, vamos realizar o maior programa de negócios do País, a Casa Rio – Embaixada Brasileira de Negócios – um abrangente e extenso programa de ações para aproveitar a presença de investidores na cidade. A maior parte da programação acontecerá na Casa Rio, um espaço de mil metros quadrados na zona portuária”, diz Haddad. “Um dos destaques da programação será o encontro anual da associação de cidades de energia, o World Energy Cities Partnership (WECP). São 22 cidades que têm o petróleo como uma das bases da economia. Os prefeitos e as delegações estarão reunidos na cidade com a Offshore Technology Conferences (OTC), transformando o Rio na capital mundial do petróleo, em outubro.”

No setor energético, a queda do valor do petróleo de US$ 115 para US$ 45 e a crise da Petrobras estão provocando revisões de contratos, diminuição de investimentos e corte de pessoal. Isso afeta toda a cadeia produtiva do setor, gerando desemprego em cascata e diminuição da arrecadação com royalties. As prefeituras fluminenses perderam, juntas, R$ 289 milhões em repasses na comparação entre o primeiro trimestre de 2015 e o mesmo período de 2014. Apenas Itaguaí, entre as 88 cidades que recebem essa verba, não teve prejuízo.

Como se já não bastassem os problemas econômicos, a segurança pública volta a ser uma preocupação para os cariocas. Concebido em dezembro de 2008, o projeto das UPPs foi criado com a promessa de diminuir a violência e recuperar o controle territorial da cidade. Bairros inteiros do Rio ficavam sob o domínio de bandidos, como traficantes de drogas ou milicianos, que usam armamentos pesados, como fuzis.

A ação policial permanente deu esperança às pessoas que eram obrigadas a conviver com a quase total ausência do Estado. Entretanto, a estratégia começa a ser duramente criticada por especialistas. Áreas que já tinham sido consideradas pacificadas como, por exemplo, o Morro do São João, no Engenho Novo, o Morro dos Macacos, em Vila Isabel, a Rocinha, o Complexo do Alemão, voltaram à rotina de tiroteios e medo. “Não haverá retrocesso na política de pacificação”, garante o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame.

A insegurança é a maior desvantagem do Rio de Janeiro, de acordo com a 8ª Sondagem Empresarial “A força do Rio de Janeiro”, referente a 2014, com 57% das respostas. Em seguida, aparecem os custos maiores no Estado (49%). Era possível votar em mais de uma resposta, por isso o total ultrapassa os 100%. A pesquisa, feita pela PwC com 50 empresas fluminenses, também mostra que as principais ações que o governo deveria priorizar na economia são os investimentos em segurança (78% das respostas) e infraestrutura (55%). Também era uma questão de múltiplas respostas.

Para Alexandre Rangel, sócio de consultoria e especialista em megaeventos da Ernst & Young (EY), é necessário fazer um novo planejamento estratégico para a cidade visando o ciclo pós-2016. “Copa e Olimpíada não foram feitas ao acaso, foram fruto de planejamento. A lição é não deixar isso ao acaso no futuro. Existe outro ciclo de grandes eventos, como a exposição universal e feiras. É importante a cidade ter isso em seu plano estratégico”, afirma Rangel. “Se descartarmos a parte ambiental – não apenas a questão da Baía de Guanabara, como também a situação dos rios e do sistema lagunar – e pensarmos na parte da mobilidade urbana e de recuperação de áreas degradadas, como porto, Engenhão, o legado é bom.”


(Por Cláudio Motta)


SAIBA MAIS:

O enigma carioca para além de 2016
http://bit.ly/1Blw9T8

O desafio é manter a atratividade da indústria de petróleo e gás no Brasil
http://bit.ly/1dsXI7R

Os desafios da segurança
http://bit.ly/1HFlE4L

Os Jogos Olímpicos e a cultura do improviso
http://bit.ly/1Hs9NBv
Agenda

mantenedores

OURO

PRATA

  • Praça Pio X, 15 / 5º andar – Centro
    CEP: 20040-020 – Rio de Janeiro/RJ
  • + 55 (21) 3213-9200
    Fax: 55 (21) 3213-9201
  • amchamrio@amchamrio.com
Redes AmChamRio
  • COPYRIGHT © 2012.