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“Não atuar de acordo o pensamento da sustentabilidade é um risco para os negócios”

28/04/2015 em BRAZILIAN BUSINESS
Fabio Caldas, diretor de Assuntos Externos da Shell para a América Latina, analisa o setor de energia
Fabio Caldas: vamos precisar de todos os tipos de energia: petróleo, gás, solar, eólica, todas serão necessárias. Foto: Divulgação
Diretor de Assuntos Externos da Shell para a América Latina, Fabio Caldas combina engenharia e comunicação, letras e números. Engenheiro de produção pela UFRJ, com dois anos de especialização na Escola de Negócios da UFRJ (Coppead), tornou-se um apaixonado pelo marketing e pela estratégia. Na empresa desde 1990 (estava de), acumula vivências e experiências para traçar, em entrevista exclusiva para a revista Brazilian Business, um cenário do setor de energia. Mais do que isso, apresenta sua visão de longo prazo e discorre sobre o peso da sustentabilidade para o setor privado.

Experiência internacional, formação continuada e treinamento contribuíram para diversificar sua formação. “A companhia permite que as pessoas se desenvolvam em diversas áreas, dependendo do perfil de cada um. O meu era de generalista, característica de quem gosta de estratégia e marketing”, diz Caldas. “Além disso, a companhia também oferecia rotação – hoje ainda ocorre, mas com menos intensidade, já que as pressões competitivas requerem mais especialização. Havia ainda o aspecto da internacionalização da empresa. Atuo com pessoas do mundo inteiro, expatriados.”

Com a racionalidade de engenheiro no DNA, Caldas foi desenvolvendo sua intuição ao longo da jornada. De acordo com ele, o profissional da área de assuntos externos precisa ter insights, compreender a linguagem corporal, saber observar. Acompanhe, abaixo, a entrevista concedida por Fabio Caldas:

Brazilian Business: Ter clareza acerca da visão e da missão da empresa é fundamental para a longevidade de uma organização?
Fabio Caldas: A Shell tem mais de 100 anos, e também no Brasil tem mais de 100. Passou por duas guerras mundiais, atuando de forma global desde o início. Superou inúmeras crises, como a de 1928 e a de 2008. Certamente, a Shell é uma empresa que tem percepção da sua visão e missão de longo prazo, em nível global e local.

BB: Qual é a importância de inserir o conceito da sustentabilidade na estratégia da empresa, inclusive na visão de futuro?
FC: Acompanhei e achei fascinante o processo de implementação disso na Shell. Foi montada uma estrutura separada da nossa estrutura de negócios. Os núcleos que faziam o desenvolvimento sustentável reportavam centralmente. Ou seja, havia um processo de aculturar a companhia. Ao longo do tempo, a cultura da sustentabilidade foi ficando embutida na cultura do negócio. A partir de determinado momento, essas estruturas locais puderam ser retiradas. A Shell tem especialistas de sustentabilidade de forma local? Poucos. Tem um time global e uma cultura embutida: na governança, temos custo de carbono, testamos o projeto num modelo financeiro, observamos ciclos de 20, 30 anos.

BB: Qual é o peso da sustentabilidade na Shell?
FC: Cedo ou tarde, não atuar de acordo com o approach do pensamento de sustentabilidade é um risco para os negócios. Hoje falamos em licença para operar, isso emana de uma sociedade que está cada vez mais informada sobre os impactos dos negócios em sua vida. É a sociedade da informação, não tem como escapar.

BB: A Shell tem uma história repleta de inovações...
FC: O investimento em P&D da Shell está entre as maiores do setor: mais de US$ 1 bilhão no mundo. Em termos relativos, é uma das maiores companhias globais de energia. No Brasil, há investimentos consolidados em biocombustíveis. Na parte de gás, esse é um combustível importante para a economia de baixo carbono.

BB: E, quando olha para o futuro, qual é a sua visão?
FC: A mensagem principal é: o mundo terá cerca de 9 bilhões de pessoas em 2050. Também haverá um aumento de renda per capita, o que tem relação direta com o consumo de energia. O que aconteceria se um chinês consumisse como americano? A demanda energética é imensa. Tem a base de economia fóssil. A Shell tem a seguinte posição: vamos precisar de todos os tipos de energia: petróleo, gás, solar, eólica, todas serão necessárias. Nenhuma companhia vai poder fazer isso sozinha, os desafios são muito grandes.

BB: O Brasil tem vocação e deve ser o líder das energias alternativas?
FC: Certamente. Apesar de ter uma das matrizes mais fantásticas no mundo, o desafio certamente se aplica aqui. Há espaço limitado para crescer na hidrelétrica. Vai precisar de outras fontes? Tem alguma dúvida? Sim! Fóssil? Vai. Renováveis? Claro.

BB: A Shell foi a primeira companhia internacional a produzir petróleo em escala comercial no Brasil após a abertura do mercado. É necessário abrir mais o mercado?
FC: Novas oportunidades são sempre bem-vindas. O ambiente de negócios deve proporcionar o máximo de oportunidades para que as empresas possam contribuir para o País. Na área de petróleo e gás, novos leilões de exploração movimentariam a cadeia de valor do setor, gerariam empregos, impostos, seria bom para a implementação de programas sociais, bom para o País. Essa é a nossa visão. Estamos em Libra e gostaríamos de ter mais.

BB: O valor do petróleo caiu muito desde o leilão de Libra, além da crise que assola a Petrobras. Mudam os planos? Aumentam os desafios? Libra passa a ser uma aposta de alto risco?
FC: Estamos com Petrobras, Total, CNPC e Cnooc. A informação que temos é de que tudo está se desenvolvendo da melhor forma possível. Estamos muito satisfeitos com o consórcio. A Petrobras é a operadora, parceira de primeira em Libra. Estamos satisfeitos e, obviamente, o desenvolvimento tão positivo reforça a nossa mensagem de que gostaríamos de ter muitas oportunidades de uma forma geral no País.

BB: O senhor trabalhou como professor voluntário de ética para crianças e adolescentes. Hoje, qual é a chave para falar sobre ética com profundidade e eficiência? Qual é a importância da ética para o mundo corporativo, na sua opinião?
FC: Estudo na Fundação Logosófica há alguns anos. Durante seis ou sete anos, passei os domingos em sala de aula usando a metodologia logosófica com crianças e adolescentes, buscamos fazer pensar. A ética tem um sentido moral profundo. Seria uma ética consigo mesmo. Além disso, em um mundo no qual as pessoas estão cada vez mais informadas, há a ética e a sustentabilidade, que estão diretamente ligadas. Na sociedade da informação, é o que te dá licença para operar.

BB: Fique livre para qualquer comentário adicional.
FC: Gostaria de ressaltar a importância do gás como combustível de transição no Brasil. E tem que se pensar no mundo. Com tantos riscos não técnicos, não relacionados ao negócio, é importante pensar em termos inovadores, o que posso pensar fora da caixa para trazer de novo tanto no negócio como fora: táticas de sustentabilidade, ética, desenvolvimento tecnológico. Inovação tem se tornado um jargão muito forte no ambiente de negócios. E, com um investimento tão grande em P&D, estamos trazendo grandes inovações, posso citar a plataforma flutuante de gás liquefeito – a maior da Terra – na Austrália.
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