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Sidney Levy, diretor-geral da Rio 2016

04/03/2013 em Rio de Janeiro
Sidney Levy, ex-presidente da Amcham Rio e da Valid S.A., falou com exclusividade à revista Brazilian Business às vésperas de assumir o posto de diretor-geral da Rio 2016
Sidney Levy, o novo diretor-geral da Rio 2016
“Nos primeiros cinco minutos eu disse sim. Acho que foi uma decisão instintiva. Mas senti como se fosse uma missão, algo que eu tinha de fazer.” Foi com essa emoção que o engenheiro Sidney Levy se tornou o diretor-geral do Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos Rio 2016 (Rio 2016), posto que assumiu em janeiro deste ano. Carioca, 56 anos, ele é presidente do Conselho de Administração da Valid S.A., empresa na qual está há 31 anos e que presidiu entre 1994 e 2011, e ex-presidente da Câmara de Comércio Americana do Rio de Janeiro. A menos de um mês de assumir o posto de diretor-geral da Rio 2016, Levy falou com exclusividade à revista Brazilian Business, publicação desta Câmara de Comércio Americana, em seu escritório, no Centro da cidade.

Levy é só sorrisos e bom humor quando fala da oportunidade de liderar a organização dos Jogos, que acontecem pela primeira vez na América do Sul. O evento multiesportivo será realizado no segundo semestre de 2016, no Rio de Janeiro. A cidade foi escolhida como sede durante a 121ª Sessão do Comitê Olímpico Internacional (COI), em Copenhague, na Dinamarca, em outubro de 2009. Leia a seguir a íntegra da entrevista.

Brazilian Business: Qual será o seu papel à frente da Rio 2016, como diretor-geral?

Sidney Levy: Em Londres, foi adotado um sistema de gestão para o evento semelhante ao das empresas de capital aberto na Bolsa, composto por um chairman e um chief executive officer (CEO), pois como havia muitos fundos de investimentos que transitavam pelo comitê organizador, foi necessário trabalhar com as regras de governança e transparência. Como chairman, trouxeram Sebastian Coe, um grande atleta responsável por coordenar politicamente todo o movimento de trazer a Olimpíada à cidade, e como CEO contrataram um empresário, Paul Deighton, que conhecia muito de negócios. Londres foi um sucesso estrondoso muito por conta desse modelo de gestão estruturado para liderar e realizar esse grande evento, com transparência e prestação de contas continuamente, inclusive dividindo os problemas que surgiam ao longo do processo. No Brasil, a ideia foi repetir esse modelo. Fui contratado para introduzir no Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos uma governança semelhante à das empresas abertas, à medida que envolve os fundos privados, que lidam com patrocínios, fundos do comitê internacional, vendas de ingressos etc. Em paralelo, há outra questão mais ampla, que são os fundos públicos, como a construção do Metrô. É outra governança, que o comitê olímpico não domina, não é de sua responsabilidade, mas caminham em paralelo.

BB: Mas é fundamental que haja um diálogo com o poder público.

SL: Existe um alto comando dos jogos composto pelas forças políticas que, unidas, precisa fazer o modelo de evento funcionar. Ele reúne a presidente da República, Dilma Rousseff, o prefeito e o governador do Rio de Janeiro, Eduardo Paes e Sérgio Cabral, o presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), Carlos Arthur Nuzman, o presidente da Autoridade Pública Olímpica (APO), Márcio Fortes, e o ministro do Esporte, Aldo Rebelo. Quando o Brasil ganhou a candidatura para sediar o evento ele se comprometeu com o Comitê Olímpico Internacional a fazer dessa forma integrada para funcionar, pois só será possível realizar os jogos com sucesso se houver obras estruturais, modernizações que o Rio de Janeiro sempre precisou, e está usando esta oportunidade como um polarizador. Não existe um carioca que ache desnecessário ter o Metrô para a Barra da Tijuca, ou o Maracanã e os aeroportos reformados. Acho que o público mistura um pouco as obras que precisam acontecer para a realização dos jogos, durante os 17 dias de evento, e aquelas que, por oportunidade, irão ficar como legado.

BB: O ganho da candidatura é um ganho para a cidade do Rio de Janeiro?

SL: Acho que são dois ganhos. Naturalmente, há um ganho para a cidade em termos de legado de infraestrutura, mas também algumas reformas pontuais que o evento oportuniza e vão ficar para a cidade, como a construção, por exemplo, de 48 novos hotéis. Esse evento é um grande catalisador de esforços, pois faz com que as coisas aconteçam mais rapidamente. Há outro ganho não tão palpável, mas igualmente desafiador e significativo, que é poder mostrar para o mundo inteiro outro Rio de Janeiro, o que funciona, onde as coisas acontecem na hora, que tem uma vida cultural riquíssima. Temos de mostrar esse lado da cidade, a nossa capacidade de ser uma cidade que funcione, além da festa e da alegria.

BB: Qual a sua expectativa em relação à aparelhagem da cidade para ancorar os jogos?

SL: É um projeto fabuloso e muito ambicioso. São os quatro anéis do BRT, o Metrô, a construção dos hotéis, a reforma do Porto e a nova Marina. Os principais financiamentos já estão colocados e depois a iniciativa privada vai explorar esses modelos – um sistema feito em Londres e que deu muito certo. Um dia depois de encerrada a Olimpíada, já havia um órgão privado para administrar, dar a concessão e tocar adiante. Por outro lado, precisa haver mão de obra qualificada para sustentar todas essas instalações, que fale inglês. São desafios enormes, mas que estão sendo endereçados nessas várias esferas. O que me parece muito interessante é o discurso coeso das diferentes lideranças, determinadas a usar essa oportunidade para fazer uma transformação tão necessária.

BB: Que oportunidade isso significa para o setor empresarial?

SL: Temos as PPPs sendo feitas, todas as concorrências da Olimpíada serão internacionais, os patrocinadores internacionais. No Rio de Janeiro, por exemplo, tivemos o caso recente da Nissan, que ao anunciar a construção de sua fábrica no Estado teve como estratégia de marketing também declarar o patrocínio oficial à Olimpíada. Mas não vai ser fácil. É um negócio muito complexo e muito grande, que envolve muito dinheiro e dialoga com vários poderes. Mas eu acho que a gente alcança. Sou extremamente otimista. Existem comprometimento e verba destinados e também esse alinhamento entre os diferentes poderes que, sem ele, seria impossível.

BB: Qual a sua percepção sobre a oferta de mão de obra propiciada pelos jogos?

SL: Só o comitê organizador vai disponibilizar 4 mil vagas até 2016, mas todos terão que falar inglês. Acho que isso é certamente um gargalo, principalmente quando penso em serviços, como os atendentes dos hotéis, motoristas de táxis e ônibus etc. Mas acredito que haverá saídas possíveis para isso até lá. Dentro do comitê, por exemplo, existe uma área de Educação, que vai realizar treinamento à distância para os prestadores de serviços, com ferramentas de e-learning, e dar conta também de treinar 70 mil voluntários. O idioma é ainda uma barreira. Londres teve outros problemas, como a dificuldade de engajar as pessoas. Aqui certamente isso não vai acontecer. Cada cidade tem a sua peculiaridade.

BB: Como a tecnologia vai contribuir para a realização dos jogos?

SL: Quando estive em Londres para conhecer a organização dos jogos, eles me disseram que no começo dos trabalhos não existia o Facebook, por exemplo. Provavelmente, ao longo dos próximos anos teremos que lidar com novidades e incorporá-las, mas são realidades ainda distantes. Na experiência londrina, eles fizeram algo muito interessante que foi construir uma base de dados com milhões de pessoas para articular pequenas soluções para os problemas locais. Fiquei também muito impressionado com a qualidade do serviço de broadcast da Olimpíada de Londres. Havia 2.500 câmeras de televisão cobrindo os eventos. Nós não temos essa quantidade de equipamentos no Brasil. Teremos que importá-los. Só o Comitê Olímpico Internacional tem 1.500 câmeras próprias de alta geração e precisão. Já os softwares de segurança e acesso o Brasil já tem. Quanto a isso não teremos problemas. As mídias sociais e o site oficial já estão se comunicando muito bem. Mas temos que ir num crescente que vai ser acelerado depois da Copa do Mundo de 2014. Temos que planejar bem agora para, nos últimos dois anos anteriores ao evento, concretizar. Mas temos que ser flexíveis ao longo do caminho.

BB: Você acredita que os advogados vão ficar muito ocupados?

SL: O COI é muito organizado nesse sentido. Nesse item estou muito tranquilo, pois já existem termos bem claros e resolvidos quanto à proteção de marca. E a marca dos cinco anéis é muito forte.

BB: Como vamos lidar com o arsenal de equipamentos e jornalistas necessários para a cobertura de mídia?

SL: A mídia realmente é um assunto muito relevante entre as tarefas que temos pela frente. Está em construção um centro de mídia e alojamentos para a imprensa. O COI é o líder desse ponto, pois tem uma experiência brutal nesse sentido. Participei de uma reunião em que havia reunidos todos os lados da experiência – o chefe suíço de mídia, o responsável por liderar a experiência londrina e o head associated press, um parceiro internacional que cobre sempre a Olimpíada, além de um grupo de jornalistas que faz a cobertura dos jogos há anos. Juntos eles fazem um balanço das experiências vividas para aperfeiçoar a capacidade de atender as necessidades da imprensa. São detalhes, mas que na repercussão dos jogos fazem toda a diferença, como a conexão wi-fi, que precisa ser muito sofisticada, o intervalo de tempo dos transportes para levar a imprensa, por exemplo, alimentação etc. Tudo é negociado com a rede de jornalistas internacional para ser bem-sucedido. Isso eu achei uma experiência incrível.

BB: Como você recebeu o convite para ser o diretor-geral da Rio 2016? O que você sentiu e como vê esse desafio?

SL: Quando recebi o convite do [Carlos Arthur] Nuzman eu imediatamente aceitei. Não sei se foi uma decisão racional ou emocional, ou ainda instintiva. Mas senti como se estivesse aceitando uma missão. Tem coisas na vida que a gente sabe que tem que fazer. Quando fui à Suíça para me reunir com os organizadores, ao chegar ao aeroporto, procurava a placa com o meu nome quando percebi um rapaz com a imagem apenas do logo da Olimpíada, os anéis, na mão. É uma força impressionante que a marca representa, pois simboliza muitas coisas: significa organização, transparência, esforço, tradição, humanidade. Se você pensar no lema dos ingleses para a Olimpíada, To Inspire a Generation, é esta a potência que vejo nos jogos. Temos que usar os jogos como uma ferramenta para os jovens pensarem em ter outras opções à violência. Este é um papel que a Olimpíada pode ter, que é muito importante para a sociedade. Além disso, a Olimpíada apresenta uma gama de opções de esportes, não apenas o futebol. É parte da educação do povo norte-americano, por exemplo, usar o esporte como elemento da educação. Muitos CEOs foram grandes jogadores na escola e universidade. O próprio [Barack] Obama jogou basquete por muitos anos, e ainda joga. E com certeza aprendeu alguma coisa com isso. É um elemento de educação para a vida. O Brasil precisa incorporar esse espírito.

BB: Os jogos são o despertar, mas como dar uma continuidade?

SL: Tem que haver uma cultura que perpetue os esforços que faremos para realizar os jogos. O meu trabalho termina em dezembro de 2016, mas depois deve haver um esforço do poder público e da iniciativa privada para aproveitar esses espaços criados. Na Inglaterra, por exemplo, a empresa que ajudou a construir as piscinas para os jogos, depois de encerrados, fez uma concessão para explorar o espaço comercialmente. Uma semana depois, havia 10 mil pessoas pagando ingresso ou usufruindo daquele legado por meio de convênios com a prefeitura e as escolas. É aproveitar para fazer desses espaços um legado social.

BB: Como você percebe o papel da Câmara de Comércio Americana do Rio nesse cenário?
SL: É uma instituição muito importante e tradicional. Eu sou um exemplo vivo de um associado que extraiu muito da Câmara. Foi uma instituição que me melhorou como pessoa e como profissional. Eu dei muito à Amcham Rio, mas também recebi muito ao longo dos anos em que trabalhei ativamente, desde 1996, quando entrei como diretor, até virar presidente, em 2005. Desde 2007, estou no Comitê Executivo da Amcham Rio, posto que deixarei em abril de 2013.
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