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Matriz energética brasileira é tema do President’s Meeting na Amcham Rio

11/08/2012 em Energia
O presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Mauricio Tolmasquim, faz balanço do setor de energia do Brasil, que deverá ser o primeiro exportador de petróleo a usar matriz energética sem emissões de gases de efeito estufa

É impossível dissociar energia e meio ambiente nos dias de hoje. O Brasil, a sexta maior economia do mundo, é responsável por 1,25% das emissões de gás de efeito estufa – 20 vezes menos que a China – e possui 44% de fontes de energia renováveis, quando a média mundial é de 13% e a da OCDE é de 7%. Esses números foram apresentados pelo presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Mauricio Tolmasquim, durante o President’s Meeting: Matriz Energética Brasileira e o Cenário Internacional, realizado no dia 17 de outubro, pela Câmara de Comércio Americana do Rio de Janeiro (Amcham Rio), uma iniciativa do Comitê de Energia.



 



Tolmasquim fez um balanço do cenário atual e futuro da matriz energética do Brasil enfatizando a forte presença de recursos renováveis no País, que apresenta alternativas distintas do padrão internacional. Segundo ele, o Brasil é a terceira maior potência hidrelétrica mundial – atrás somente da China e da Rússia – com grande capacidade para utilização dessa fonte. Ele citou as obras em andamento na Região Amazônica (onde está 60% de todo o potencial hidrelétrico do País), que sofreram alterações para evitar danos ao maior bioma do planeta. É o caso das usinas de Jirau, Santo Antônio e Belo Monte, que possuem reservatórios menores do que as já em funcionamento. “Elas atingem menos de 0,5% do bioma e ainda são vetores de desenvolvimento nessas regiões”, disse. Na construção de Jirau, relatou, as famílias da região foram removidas para uma nova vila com infraestrutura e, em Santo Antônio, investiu-se em qualificação de mão de obra local. As duas hidrelétricas, ambas em Rondônia, devem começar a funcionar até 2020, com Belo Monte e Tapajós, no Pará. Juntas, somam investimentos da ordem de R$ 1 trilhão. Sobre as obras em Belo Monte, que vem gerando protestos por parte de indígenas locais e ambientalistas, Tolmasquim classificou de injusta a afirmação de que o projeto não se preocupa com as três reservas indígenas da região. “O projeto foi totalmente alterado para evitar que 227 índios tivessem que ser remanejados de suas aldeias. É injusto quando se alega que não estamos cuidando de nossa minoria”, acrescentou, explicando que o projeto contempla um canal maior que o do Panamá, uma obra de R$ 6 bilhões, para evitar que as comunidades fossem inundadas. ”Essa usina vai atender 60 milhões de pessoas, o que corresponde a todo o consumo na Argentina”, disse.



 



Com relação às terras não antropizadas da Amazônia, ou seja, as que não sofreram a ação do homem, o presidente da EPE afirmou que os projetos estão sendo colocados em prática de forma a manter as áreas intocadas, com acampamentos provisórios e reflorestamento imediato dos locais em que foram abertas clareiras para a construção das altas torres, que passam sobre as copas das árvores.



 





O executivo fez um parêntese sobre a utilização do carvão, fonte que mais emite CO2 na atmosfera e que é responsável por 40% da geração de energia no mundo. “Países com o mesmo PIB per capita do Brasil – que tem apenas 1% de sua geração de energia pelo uso do carvão – emitem oito vezes mais CO2. A China, por exemplo, emite cerca de 800 kW/hora de CO2”, enfatizou. Ele listou outros países com baixa emissão de CO2, entre eles, Canadá, Noruega e França.



 



O presidente da EPE falou também sobre os avanços no uso da biomassa (bagaço de cana-de-açúcar) para térmicas e automóveis. “Atualmente, 53% dos carros são flex fuel, aceitam gasolina e etanol. Em 2021, esse número chegará a 75%. No caso do etanol, a expectativa é de uma produção de 60 bilhões de litros nos próximos dez anos, sendo 90% dessa produção destinada a fins carburantes”, avaliou.



 



Outros tipos de fontes de energia também foram destacados. De acordo com Tolmasquim, o País, que atualmente ocupa a 20ª posição em geração de energia pela força dos ventos, dividirá o quarto lugar com a Alemanha em 2013. “Hoje, a presença da energia eólica representa 1% da nossa matriz energética, mas a previsão é que se chegue a 9% até 2021, o que será de grande importância porque poderemos estocar água nos reservatórios na época da cheia, utilizar a biomassa nas térmicas e a energia eólica na época da estiagem”, disse. Mas acrescentou, no entanto, que é de extrema necessidade o investimento em tecnologia para que os equipamentos se adaptem aos ventos brasileiros, que, segundo ele, são bastante diferentes dos do resto do mundo. Para isso, a EPE pretende elaborar um novo estudo sobre o potencial eólico brasileiro. Segundo ele, o último levantamento apontava um potencial de 143 mil megawatts – o equivalente a dez usinas de Itaipu – no qual se adequava um modelo de torres de 50 metros, mas que atualmente já é possível utilizar torres de 100 metros, gerando uma quantidade de energia muito superior.



 



Sobre o petróleo, Tolmasquim declarou ser uma “bênção” que as reservas do pré-sal tenham sido descobertas agora e não há 30 ou 40 anos. “Hoje temos tecnologia, instituições jurídicas e sistema democrático para usar de forma saudável a renda do petróleo. Acredito que possamos fazer dele um fator dinamizador da economia”, afirmou. Com  a ampliação da capacidade de refino, o Brasil deve se tornar autossuficiente em derivados de petróleo em 2021, podendo assim tratar a totalidade do petróleo produzido, e gerando ainda um excedente de 2,5 milhões de barris/dia para exportação.



 



"Hoje somos importadores líquidos de derivados de petróleo, produzindo pouco mais de 2 milhões de barris por dia, mas, em 2016/2017, o Brasil pode deixar de ser importador líquido e passar a ser exportador", avaliou, chamando a atenção para as empresas que estão se instalando no complexo da Ilha do Fundão e para a entrada em operação das refinarias do Comperj, no Rio de Janeiro, Abreu e Lima, em Pernambuco, a Premium 1, no Maranhão, e  a Premium 2, no Ceará, que devem aumentar a capacidade de refino em 63% no período de dez anos. “O Brasil vai se tornar um player importante no cenário econômico com excedente de petróleo. Vamos ser o primeiro país exportador de petróleo a ter a matriz energética limpa”, concluiu.



 



Ao fim do evento, Tolmasquim conversou com os jornalistas e afirmou que o Governo vai manter a estimativa de redução das tarifas de energia em 16,2% para residências e de 28% para o setor produtivo, como a indústria, mesmo com o impasse nas renovações das concessões de algumas usinas. “O cálculo feito pelo Governo já tinha certa gordura. Por isso, continuamos seguindo com o percentual anunciado pela presidente. Não há razão para falar em outros números. É razoável entender o descontentamento com as novas regras de renovação das concessões, mas a hidrelétrica é um bem público e precisa voltar para a União”, afirmou. Sobre a entrada em funcionamento das termelétricas para reduzir a utilização das águas dos reservatórios por causa da estiagem, o presidente da EPE disse que isso também já estava previsto e não afetará os cálculos preestabelecidos. “O Governo está tentando fazer o que é melhor pelo País, principalmente para aumentar a competitividade”, disse.



 



Ao abrir o President’s Metting, o presidente da Amcham Rio, Henrique Rzezinski, também chamou a atenção para o momento altamente positivo na área de energia com uma agenda estratégica, destacando a atuação do País no cenário global e nas relações com os Estados Unidos, colocando-se à disposição do consulado americano, na figura do cônsul-geral, John Creamer, para dar continuidade à cooperação na questão energética. “A Amcham Rio está aberta ao consulado como sempre tem sido a tradição. Vivemos um momento muito importante em todos os setores de energia. Mas, principalmente no pré-sal, nós temos hoje a oportunidade de transformar esta riqueza não só em desenvolvimento industrial, mas de resgatar o déficit social do Brasil”, disse Rzezinski.



 



Confira as fotos do evento em:



http://www.flickr.com/photos/amchamrio/sets/72157631798412436/

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