Fale conosco - Downloads - Notícias
Home
Notícia
<< Voltar

Relação comercial entre Brasil e EUA é debatida no Brazil – U.S. Forum

07/09/2012 em Relações Governamentais
Evento do CEBRI, com apoio da Amcham Rio, apresenta painéis sobre Cenário Econômico e o Comércio Exterior e Cenário Político e Relações entre Brasil e EUA aquece discussão sobre livre comércio entre os dois países

A falta de uma política de comércio exterior entre Brasil e Estados Unidos foi o foco das palestras apresentadas no evento Brazil – U.S. Forum, realizado na última sexta-feira, dia 29 de junho, pelo Centro Brasileiro de Relações Internacionais (CEBRI) e pelo Center for Hemispheric Policy University of Miami, com o apoio da Câmara de Comércio Americana do Rio de Janeiro (Amcham Rio), no JW Marriott Hotel, na Zona Sul do Rio de Janeiro.



No primeiro painel, que abordou o Cenário Econômico e o Comércio Exterior, o professor de pós-graduação em Economia da Fundação Getulio Vargas, Pedro Cavalcanti Ferreira, afirmou que o protecionismo e as barreiras orçamentárias impostas pelo governo brasileiro – que recentemente aumento o IPI para importações – afetam a eficiência da produtividade, dificultando a aplicação de projetos de infraestrutura. “O Brasil nunca foi friendly do comércio exterior, mas a abertura do comércio na década de 1990 provocou um impacto importante na produtividade. Porém, de cinco ou seis anos para cá estamos indo na direção contrária. Houve um aumento da intervenção estatal na economia, com a escolha de determinados setores para receber investimento dos bancos estatais, um aumento do protecionismo no comércio exterior, uma infraestrutura ineficiente e um aumento da incerteza institucional, o que piora substancialmente o cenário de negócios e atrofia o crescimento econômico. A minha visão para o futuro é de um Brasil com juros e inflação baixos, mas também com um baixo crescimento”, analisou.



O diretor executivo e principal estrategista para mercados emergentes da CIBC World Markets do Canadá, John Welch, também acredita que nos últimos seis anos houve um desvio da política brasileira, deixando-a mais intervencionista e com barreiras a importações. Ele criticou ainda a posição do governo brasileiro em afirmar que se recuperou bem na crise econômica. “Existe uma arrogância na afirmação de que o País saiu da crise melhor que os outros. Ficou em quarto lugar. O melhor foi o Peru. Mesmo o Chile, que foi afetado pelo terremoto, e o México estão crescendo mais do que o Brasil dada a políticas de abertura do comércio exterior. Existe uma sistemática de análise equivocada com uma política defensiva. Os Estados Unidos estão querendo uma melhora nesta relação e estamos de portas abertas”, afirmou Welch.



O sócio-diretor da MCM Consultores Associados e da Techne, Amaury de Souza, responsável pela mediação do debate, encerrou o painel com uma referência à apresentação de Welch, ao afirmar que o Brasil tem nos Estados Unidos um dos grandes destinos de seus produtos industriais, ao contrário da China que só importa produtos agrícolas e minerais. “O ideal para melhorar este cenário era não só abrir a economia, mas abrir na direção correta. Vou ser menos sutil do que o John (Welch) em sua apresentação e digo que o Brasil deveria ter com os Estados Unidos um tratado de livre comércio”, disse Souza.



Ao ser questionado pela plateia sobre quais seriam as barganhas de troca em um tratado de livre comércio, Welch afirmou que o Brasil sempre terá queixas dos EUA, citando como exemplo o caso das exportações de suco de laranja. “Não estou falando em moeda de troca. A negociação do Mercosul com os EUA é economicamente errada, porque existe esta teoria de que exportação é bom e importação é ruim. A Argentina está sofrendo com isso. Acho que há muito mais ganhos do que perdas com a abertura do mercado”, disse.



O debate no segundo painel Cenário Político e Relações entre Brasil e EUA foi ainda mais acirrado, que contou com a moderação do visitante do CEBRI, Seth Colby. Para o jornalista especializado em Política Externa, Carlos Eduardo Lins da Silva, o Brasil sempre teve uma boa relação com os Estados Unidos, embora ela não tenha sido muito bem alinhada, segundo ele, em grande parte por conta das estruturas de governo. “O Brasil pode se beneficiar com uma relação mais amigável. Mas acredito muito mais que isso venha a ocorrer não com a intervenção dos governantes e sim com a sociedade civil”, disse Lins da Silva citando como exemplo a Cúpula das Américas onde quase nada se concretizou.



Ele citou as duas medidas que foram colocadas em prática: a reabertura de dois consulados, um em Porto Alegre e outro em Recife, que estavam fechados há anos, e o projeto para agilizar o pedido de visto para os EUA.  “As ações foram realizadas não porque o presidente dos EUA, Barack Obama, ou a presidente do Brasil, Dilma Rousseff, quiseram, mas por ações fortes impostas pela sociedade. O número de turistas brasileiros cresceu tanto que melhorou a economia de algumas cidades e a sociedade passou a pressionar o presidente Obama. É dessa maior interação entre as sociedades que poderia vir uma relação mais confiante entre os dois países”, disse sugerindo algumas medidas tais como o fim da bitributação, a eliminação dos entraves alfandegários dos dois lados e o término da necessidade de vistos entre os dois países, afirmando que o Brasil poderia fazer um gesto de unilateralidade para ver se há uma reciprocidade.



Christopher Garman, um dos diretores da Eurasia Group e líder para Mercados Emergentes na América Latina, fez sua apresentação com base na relação entre Brasil e Estados Unidos no contexto global. Segundo ele, apesar de haver na última década um cenário econômico favorável, com um momento bom para os mercados emergentes, houve um retrocesso em grande parte por causa da crise da Europa. “Isso provavelmente vai gerar um baixo crescimento, não só em países emergentes, mas também nos desenvolvidos. Defendo ainda a tese de que este movimento possa gerar uma aproximação entre Brasil e Estados Unidos. O cenário mostra que provavelmente a relação entre Brasil e China tende a ficar mais tensa por conta do grande desafio da economia chinesa que deve voltar sua produção para o setor doméstico, deixando a exportação em segundo plano. Com isso, uma relação com os EUA pode ser mais produtiva, por ser mais diversificada, e não somente com manufaturados, disse Garman, evidenciando a necessária da reformulação da política externa brasileira no contexto internacional.



Para Susan Kaufman Purcell, diretora do Center for Hemispheric Policy University de Miami, que abriu o evento ao lado do embaixador e vice-chairman do CEBRI, José Botafogo Gonçalves, afirmou que o Brasil está atrasado em política externa até mesmo dentro do Mercosul e que não é mais um líder dentro do bloco. “A não ser que o Brasil queira continuar a olhar somente para esses vizinhos ruins. A Argentina está falida, o (Hugo) Chaves, presidente da Venezuela, está morrendo. Ainda há esta situação com o Paraguai. Não há como crescer dentro do Mercosul porque não há competitividade”, disse Susan sugerindo que o Brasil repense sua política e passe a ser um agente independente dentro do bloco nos moldes do que acontece no Nafta com Canadá, México e EUA. Ela comentou ainda sobre o momento eleitoral em que vivem os EUA e disse acreditar que a política de Obama seja mais palatável para mercados emergentes do que a de seu adversário Mitt Romney. O embaixador José Botafogo Gonçalves encerrou o evento afirmando que o Brasil tem um enorme dever de casa a cumprir, principalmente no âmbito das reformas que afetam crescimento, a redução da disparidade e a renda.

Agenda

mantenedores

OURO

PRATA

  • Praça Pio X, 15 / 5º andar – Centro
    CEP: 20040-020 – Rio de Janeiro/RJ
  • + 55 (21) 3213-9200
    Fax: 55 (21) 3213-9201
  • amchamrio@amchamrio.com
Redes AmChamRio
  • COPYRIGHT © 2012.