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Para 2018, uma dose de crescimento e muitos desafios pela frente

13/12/2017 em BRAZILIAN BUSINESS
Recuperação do consumo e reformas são fatores positivos, mas capacidade ociosa freia investimentos
Chico Santos
comunicacao@amchamrio.com

Quando o principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa) ultrapassou, pela primeira vez, os 76 mil pontos no dia 20 de setembro, ficou claro que os mercados domésticos experimentavam certo clima de otimismo com a conjuntura econômica se deslocando da ainda conturbada cena política. Em agosto, o IBGE confirmara que a recessão que exauriu o país em 2015 e 2016, acumulando queda de 7,6% no Produto Interno Bruto (PIB), estava tecnicamente encerrada: após crescimento de 1% no primeiro trimestre, houve alta de 0,2% no segundo, na comparação com os trimestres imediatamente anteriores.

Projetado para o fim deste e do próximo ano, o cenário percebido pelos agentes econômicos traduz-se em um crescimento do PIB em torno de 0,7% em 2017 e de 2,5% em 2018. A projeção para este ano corresponde somente a uma tomada de fôlego, uma vez que em termos per capita o crescimento ficará em torno de zero; mas, para 2018, o número estimado representará a maior taxa de crescimento do país desde 2011, quando registrou 2,3% de 2011. Apesar de positivos, os números ainda estão longe do desejável.

O desemprego está em queda e a taxa de juros básica fechará 2017 em 7% nominais, ou bem perto disso. Com a inflação do ano próxima a 3%, os juros reais ficam em torno de 4% ao ano, número inusitado para os padrões brasileiros. Para o Rio de Janeiro, a volta dos leilões de áreas de óleo e gás, lembra Pedro Almeida, presidente da AmCham Rio e vice-presidente América Latina da IBM Brasil, é alvissareira, uma vez que o setor é o carro-chefe da economia fluminense e também de importância decisiva para o país.

A ensaiada recuperação econômica, no entanto, não afasta as incertezas de um ano de eleições e de muitas reformas por fazer para colocar o Brasil de volta aos trilhos. A “Brazilian Business” foi a campo ouvir especialistas sobre o comportamento da economia neste fim de ano e as projeções para 2018.

O economista Armando Castelar, pesquisador da Fundação Getulio Vargas (FGV), disse que já esteve “mais otimista” com os rumos da economia brasileira em 2018, mas vê com bons olhos a redução do nível de endividamento das famílias, o que favorece a retomada da expansão do consumo de bens e serviços.

“A conjuntura internacional está atuando a favor do Brasil”, lembrou Castelar citando o relatório do Fundo Monetário Internacional (FMI) sobre as Perspectivas Econômicas Globais divulgado no começo de outubro no qual a instituição multilateral eleva suas projeções para o crescimento econômico mundial de já alentadores 3,5% e 3,6% para 3,6% e 3,7%, respectivamente, em 2017 e 2018. O FMI atribui essa revisão aos bons sinais emitidos pelas principais economias globais – Estados Unidos, Europa, China e Japão.

Embora o endividamento das empresas ainda seja elevado, Castelar argumenta que a retomada do consumo e a redução dos custos financeiros expressa na queda dos juros abrem espaço para a expansão dos negócios e a consequente diminuição da alavancagem. Raciocínio semelhante vale para o complicado problema da dívida pública. Mesmo sem descartar a indispensável concretização das medidas de ajuste fiscal, incluindo a reforma da Previdência, o pesquisador da FGV destaca que a retomada do crescimento, ampliando a arrecadação, e os juros mais baixos, reduzindo as despesas financeiras, proporcionam alívio nas contas públicas.

Se o quadro é tão favorável, por que menos otimismo? No plano internacional, Castelar destaca a proposta de reforma tributária do governo dos Estados Unidos que prevê, entre outras coisas, redução de impostos para as empresas. A renúncia tende a gerar problemas fiscais no país e a necessidade de elevação da taxa de juros no mercado americano, atraindo capitais para financiar o déficit, provocando a valorização do dólar ante as demais moedas, e levando riscos inflacionários que, por sua vez, exigirão juros mais altos e influenciarão negativamente as demais economias.

Insegurança jurídica preocupa
No plano doméstico, o economista enfatiza que a conjuntura atual favorece uma recuperação cíclica, mas diz que, para uma evolução positiva de médio e longo prazos, ainda há muitos obstáculos a vencer, sejam de caráter estrutural ou conjuntural. Os estruturais estão na contínua necessidade de reformas para que se tenha um quadro estável das contas públicas e de expansão dos investimentos, que tendem a permanecer baixos, uma vez que as empresas estão com grande capacidade ociosa.

E há a incerteza sobre o que acontecerá nas eleições gerais de outubro, os constantes conflitos entre os poderes e o clima de insegurança jurídica para os negócios, com constante mudança de regras. Castelar é cético quanto à perspectiva de o atual governo, enfrentando instabilidades frequentes e com apenas mais um ano pela frente, reunir o apoio necessário para efetivar medidas “que façam diferença a partir de 2019 e que tenham, dessa forma, influência sobre as decisões de investimentos”.

O diretor de Macroeconomia do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), José Ronaldo de Castro Souza Júnior, até vê sinais de retomada dos investimentos, destacando que o Indicador Ipea constatou a primeira alta (0,8%) dessa variável na comparação com o mesmo mês do ano anterior após 13 meses de queda. Foi apenas a segunda alta em 42 meses, levando o economista a concluir que, em 2017, o investimento fechará negativo, mas deverá crescer, segundo as estimativas do Ipea, 4,2% em 2018, mais do que o PIB, que cresceria 2,6%.

O problema, ressalva Castro Souza, é que essa pequena recuperação do investimento ainda está totalmente assentada sobre o segmento de máquinas e equipamentos, uma vez que a construção civil segue travada pelo excesso de imóveis em disponibilidade. E mesmo no setor de máquinas e equipamentos, pondera o economista, a retomada segue concentrada em reposições e alguma modernização, uma vez que as fábricas permanecem com elevada capacidade ociosa (à exceção do setor agrícola) e o nível de incerteza permanece alto.

Essa incerteza segura também as decisões de consumo da sociedade, projeta o Ipea. A previsão é de que o crescimento do consumo não deve passar de 0,8% em 2017 e de 2,7% em 2018. Do ponto de vista da produção, o instituto espera crescimento de 3,4% na indústria e de 2,2% nos serviços. Já para a agropecuária, que tinha projeção de crescimento de 3,5% no próximo ano, o Ipea está revendo seus números, baseado nas projeções de que as safras de soja e milho serão menores em 2018, cumprindo um ciclo natural após a colheita recorde de 2017.

Castro Souza credita boa parte do descolamento entre a situação econômica e a conjuntura política brasileiras aos ventos favoráveis que sopram do exterior. Mas pondera que, como o futuro do país vai ser debatido no processo eleitoral de 2018, é possível que isso traga impacto negativo sobre a economia, apesar de a equipe econômica ser comprometida com uma agenda positiva. “Dependendo dos resultados dos debates, eles podem aumentar o risco país, de forma exagerada ou não”, avalia.

Disputa eleitoral gera incertezas
Braulio Borges, economista-sênior da LCA Consultores, chama a atenção para certo descolamento entre as previsões da maioria dos economistas, de crescimento de 2,5% do PIB para 2018, e a dos operadores do mercado financeiro, que chegaram a estimar 4%. Para o economista, esses operadores estão subestimando a força dos obstáculos à frente, sobretudo a incerteza eleitoral. “O desconhecimento sobre qual vai ser a política econômica a partir de 2019 trava as principais decisões de investimentos”, pondera.

O economista da LCA afirma que a recuperação econômica é “cíclica” e que para elevar o PIB potencial do país é necessário, além de se fazer as reformas de médio prazo, como a da Previdência, cuidar das questões de longo prazo. A educação em primeiro plano, cujo retorno só vem com defasagem de até três décadas, e os investimentos em infraestrutura, com retorno um pouco mais rápido. Borges entende que imprimir um ritmo mais forte às concessões pode ser “uma bala de prata” para resolver o problema da infraestrutura, mas ressalva que, no ritmo que elas estão andando, não irão gerar efeitos em 2018.

Para o economista Rafael Cagnin, do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), o ano de 2018 será o de recuperação econômica a partir da redução dos níveis de capacidade ociosa. No seu entender, a definição eleitoral terá papel decisivo para “desanuviar” o clima de incerteza persistente. “O ano de 2017 acabou e 2018 é eleição. A mudança virá após a eleição”, resume.

Para além de aspectos mais estritamente econômicos, como o fato de as empresas estarem descapitalizadas para bancar grandes investimentos _ 70% deles são feitos com recursos próprios, ressalta Cagnin _, o economista do Iedi avalia que o maior obstáculo à retomada dos investimentos é a falta de previsibilidade. Em um nível mais profundo, ele vê a dificuldade brasileira para manter uma “continuidade de pensamento como fazem os países ricos”. A insegurança jurídica, por exemplo, trava os negócios. “As mudanças estruturais precisam ser escalonadas no tempo para que os agentes possam se adaptar”.

O cientista político Thiago Vidal e o economista Guilherme Klein, ambos da Prospectiva Consultores, como os demais entrevistados, mesclam expectativa de alguma retomada em 2018 com o cuidado com o futuro mais adiante. Eles veem o otimismo dos mercados como efeito de uma interpretação de que o quadro eleitoral será resolvido pela via do centro-direita, a favor das reformas, mas advertem que mesmo um governo reformista terá enormes dificuldades para concretizar a agenda necessária e promover o equilíbrio das contas públicas, retomando a capacidade de investimento do Estado.

O drama da segurança pública
Para além da economia, a crise na segurança pública, sobretudo no Estado do Rio de Janeiro, é um fator preocupante, adverte a antropóloga Jaqueline Muniz, especialista da Universidade Federal Fluminense (UFF). Como ela ressalta, ações pontuais revelam-se inócuas diante de cidadãos cada vez mais assustados e investidores, especialmente estrangeiros, reticentes.
“Não se tem uma política de segurança pública nacional, temos um conjunto de ações desbaratadas”, afirma a professora, acrescentando que “qualquer ação de força tem efeito limitado no tempo e no espaço”. Segundo a antropóloga, a falta de uma política estruturada faz com que se gaste “muito e mal”, acrescentando que somente para os grandes eventos desta década (Copa do Mundo, Jogos Olímpicos, Jornada da Juventude e outros) concentrados especialmente no Rio de Janeiro, foram gastos cerca de R$ 20 bilhões sem nenhum efeito estrutural. “Quando se maximiza o temor, a primeira coisa que vai embora é a capacidade de produção e distribuição de riqueza”, sentenciou.

“A segurança pública afeta diretamente as decisões das empresas”, completa o presidente da AmCham Rio, Pedro Almeida. Apesar do alerta e da consciência quanto às dificuldades políticas, Almeida procurou transmitir uma mensagem de alento. “A economia do país melhora, as reformas avançam, apesar do cenário político, e existe um consenso de que elas são necessárias”, avalia. Para o executivo, “2018, sem dúvida, será melhor do que 2017”, mas ele, como os demais analistas, não solta foguetes: “Não acredito que chegaremos ao final de 2018 em uma situação tão favorável como tínhamos em 2013”.

Trazendo o foco para o Rio de Janeiro, Almeida destacou que o fechamento da renegociação da dívida do estado é outro fator de alento e ressaltou que, para além da recuperação do setor de óleo e gás, a economia fluminense precisa não perder a perspectiva da diversificação, reduzindo a dependência dos hidrocarbonetos. Nesse contexto, ele destaca as vocações históricas do setor de turismo e entretenimento e da indústria criativa, nos seus segmentos de mídia, tecnologia, moda e audiovisual.

Matéria retirada da revista Brazilian Business. Veja o conteúdo completo desta edição: https://issuu.com/amchamrio/docs/bb302




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