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Longevidade no mercado de trabalho: um caminho sustentável para o envelhecimento

06/09/2017 em NOTÍCIAS
Especialistas debateram a expectativa de vida do brasileiro e os impactos nas empresas
Da esquerda para direita: Claudia Danienne, Paulo Moraes e Rachel Malva
Com o aumento da expectativa de vida dos brasileiros, se aumenta também o seu tempo de permanência no mercado de trabalho. E quais são as consequências disso? Como as empresas podem se adaptar para manter esses profissionais empregados? Para debater o assunto, o Comitê de Recursos Humanos realizou o seminário “Longevidade e as novas relações de trabalho”. O evento aconteceu no dia 30 de agosto, na sede da AmCham Rio.

As palestras foram de Antonio Jorge Kropf, diretor da Amil; Luciana Dias Prado, sócia do Mattos Filho Advogados e Rachel Malva, gerente de People & Change da PwC Brasil. Claudia Danienne Marchi, presidente do comitê e CEO da Degoothi, além de palestrar, foi a responsável pela apresentação institucional. A moderação ficou por conta de Paulo Moraes, sócio da Talenses.

Gilberto Ururahy, presidente do Comitê de Saúde e diretor da AmCham Rio, fez a abertura do evento. Ele falou sobre o aumento da expectativa de vida dos brasileiros e a necessidade de se manter um estilo de vida adequado para envelhecer com saúde. “Precisamos envelhecer com talento, e o que é isso? É ter autonomia para enfrentar os dias”, afirmou.

Antônio Jorge abordou o tema “Longevidade: O impacto nos custos da saúde”. Ele explicou que na saúde, particularmente em relação ao idoso, a escalada de custos é intensa. Segundo ele, acima dos 80 anos os custos costumam ser 12x maiores do que de uma criança. “A transição demográfica do Brasil está sendo muito rápida, o que é um problema muito sério para a sustentabilidade. É bom por um lado, mas complicado por outro, porque as empresas não empregam pessoas acima de 50 anos, e o custo da saúde é algo muito sério”, ressaltou.

O executivo explicou que a população brasileira está envelhecendo, e que a expectativa de vida do grupo acima de 80 anos é cada vez maior, possivelmente com níveis de qualidade de vida melhores. “Nós, da área de técnicos de saúde, temos uma responsabilidade muito grande com isso, mas sabemos que, dentre os nossos aliados, certamente a área de recursos humanos precisa ser cada vez mais incisiva nessa visão, que representa uma saída para sustentabilidade e a preservação de conquistas”, afirmou.

Luciana Prado falou sobre o impacto da reforma da previdência nas empresas. Ela afirmou que apesar dessa mudança não ser tão profunda em termos de economia para o Estado, traz alguns impactos para as empresas que são bem relevantes. “O primeiro é a questão da força de trabalho. Não tem jeito, ela vai envelhecer. A gente não vai ter mais as pessoas se aposentando com 50, 55 anos, ou querendo se aposentar, como a gente vê hoje”.

Segundo a advogada, as pessoas vão querer permanecer no mercado de trabalho por várias razões. Tanto pela questão de ter um salário complementar, pois a aposentadoria não vai ser 100% do que ela recebia, tanto pelos benefícios que a empresa proporciona. A ideia então é que os profissionais se desliguem das empresas um pouco mais para frente.

Ela ainda ressalta que isso é uma incógnita para a nova geração, que não está acostumada a ficar 10, 15 anos em uma empresa. “Uma geração diferente, que está sempre mudando, sempre se movendo. Como ela vai conseguir permanecer no mercado de trabalho por mais tempo, com essa mobilidade tão grande? Isso é uma pergunta que também não temos resposta”, completou.

Para Claudia Danienne, a área de Recursos Humanos deve preparar seus funcionários para a aposentadoria. O RH tem que ser o tempo inteiro o mentor do processo. “O processo de mentoria tem que trazer lucidez para o profissional sobre aquele momento”, afirmou.

Claudia explica que o processo deve ser estruturado, e ter planos bem elaborados. Ela conta que mais de 80% dos empregadores já tem essa visibilidade da importância dos planos. “A condução, a gestão, as taxas, e o traquejo do processo é uma outra coisa. Mas essa ideia já é senso comum”, afirmou.

Para encerrar, Rachel Malva falou sobre “Envelhecimento da força de trabalho no Brasil”, e ressaltou que em 2020 aproximadamente mais de 14% da população brasileira terá mais de 60 anos, o que vai, ao longo do tempo, de alguma forma, superar o número de jovens na nossa população. “O IBGE estima que em 2020 em média 20% da população tenha mais que 50 anos. A organização mundial da saúde considera um idoso a partir de 60 anos, porém, o mercado de trabalho é um pouco mais severo, e acima de 50 anos a gente já é considerado um idoso”, ressaltou.

Ela explica que essa mudança da pirâmide, invariavelmente, vai gerar reflexos na economia. Além da questão do aumento do mercado consumidor, tem a questão do poder aquisitivo desses profissionais. Muitos dos idosos, da população acima de 50 anos, sustentam as famílias. “Que serviços a gente está provendo para eles e como as organizações estão preparadas para ter essas pessoas dentro de casa e dentro das nossas empresas?”, questionou.

Rachel conta que em alguns países é cultural o aproveitamento dessa força de trabalho, e que, atualmente, o Brasil só aproveita cerca de 44% dos profissionais entre 55 e 64 anos. “O mercado de trabalho não se prepara para isso, a gente aproveita muito pouco dessa população mais velha, e isso tem seus impactos, dentro das nossas organizações”, ressaltou.

Segundo ela, existe um preconceito de se achar muitas vezes que esses profissionais são mais lentos e podem não estar tão capacitados para determinadas funções. Porém, para Rachel, na verdade, esses profissionais têm muita sabedoria, podem mediar conflitos de uma forma muito mais consistente, com uma inteligência emocional que os jovens não têm, além de serem abertos a novas oportunidades, novos conhecimentos, e menos estressados. “Ás vezes, o impulso da juventude, em contraponto com a serenidade do profissional mais velho é um equilíbrio perfeito pra determinadas funções”, concluiu.

Confira as fotos do evento: http://bit.ly/longevidadefotos
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